Um mês depois, só o mato foi cortado


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À ESPERA DE MAIS VÍTIMAS - A proteção de concreto da “curva da morte” segue destruída desde o dia 12, quando outro caminhão capotou e matou o motorista. Em um mês, foram seis vítimas fatais; pelo meno
À ESPERA DE MAIS VÍTIMAS - A proteção de concreto da “curva da morte” segue destruída desde o dia 12, quando outro caminhão capotou e matou o motorista. Em um mês, foram seis vítimas fatais; pelo meno
Uma missa será realizada às 9 horas deste domingo, na Paróquia de Santo Antônio, em Rifaina, em memória das cinco pessoas que perderam a vida na “curva da morte”, em março. A tragédia que chocou a região completa um mês amanhã. Trinta dias se passaram e a rotina das famílias das sete vítimas envolvidas - foram dois sobreviventes - mudou completamente. Trinta dias se passaram e outra pessoa já morreu após tombar um caminhão no fatídico trecho. Trinta dias se passaram e nenhuma providência prática foi tomada pelo governo para evitar novos desastres. Um mês depois, apenas o mato que tomava conta do acostamento foi cortado. Ainda sob a comoção causada, o secretário de Estado dos Transportes, Mauro Arce, concedeu entrevista ao Comércio, no dia 8, e anunciou que o Estado vai construir um viaduto de 400 metros na curva e duplicar um trecho de 3,5 quilômetros para separar o tráfego de veículos na serra. A ordem para a elaboração do projeto executivo já teria sido dada. Quatro dias depois, enquanto o governo fazia os estudos, o motorista Luciano Machado Saraiva, 28, capotou um caminhão carregado de materiais de construção no mesmo ponto. Morreu na hora. Na tarde de quinta-feira, 24, a reportagem contatou a assessoria de imprensa da secretaria para saber sobre o andamento do projeto. Não obteve resposta. Enquanto isto, a dona de casa Euripa Adriana Santana, integrante de uma família simples de Rifaina, está praticamente morando na Santa Casa de Franca desde o dia 28 de março. Ela é a mãe da aluna da Apae, Kétima Santana Fonseca, 13, que estava na Kombi e se feriu gravemente no acidente. Com fraturas diversas pelo corpo e uma série de cirurgias devido ao desastre, ela permanece internada. A família de Cristiane Helena Santos, 18, a outra sobrevivente, passa pelo mesmo calvário. Ela também segue hospitalizada. Não há previsão de alta para ambas. Na esfera criminal, o delegado Fábio Branquinho, responsável pelas investigações, espera concluir o inquérito nesta semana. Ele aguarda apenas o laudo pericial para encaminhar o caso ao Ministério Público. Ao longo da apuração, ouviu três testemunhas e o perito que esteve no local do acidente. Com base no apurado, Branquinho está convicto da culpa do motorista do caminhão, Valmir Borges, 42. Deverá pedir sua condenação por homicídio doloso (quando há intenção de matar). “A princípio, não foi detectado nada de anormal no caminhão ou na via. Acredito que houve falha humana. Para nós, o entendimento é de que o motorista assumiu o risco do acontecimento”. A Promotoria decidirá se faz ou não a denúncia à Justiça. Valmir Borges rompeu o silêncio que durava um mês e falou com o Comércio na quinta-feira. Preferiu não comentar as causas do acidente (leia matéria ao lado). Em depoimento à polícia, no dia dos fatos, alegou que teria perdido o controle ao ser ultrapassado de maneira “arriscada” por um Gol. Na oportunidade, foi preso em flagrante e passou 48 horas na cadeia de Pedregulho. A versão por ele apresentada foi derrubada por testemunhas arroladas no inquérito que apontaram para imprudência do motorista e disseram não ter visto nenhum Gol. Na hipótese de ser condenado pelo crime proposto pelo delegado, poderá pegar de 6 a 20 anos de reclusão.

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