A medicina é tradicionalmente uma das carreiras mais disputadas no vestibular, mas exercer a profissão depois de formado pode ser ainda mais difícil. Em Franca, a falta de médicos no município também pode ser justificada pelo martírio enfrentado pelo novo profissional para ser aceito num hospital particular. O processo para credenciamento do novo médico, nos dois hospitais mais tradicionais da cidade, Regional e Unimed, pode levar de dois a sete anos e custar caro.
Nas duas instituições, é pedido que o profissional tenha em seu currículo uma especialização e registro nos órgãos competentes, como Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Há ainda uma série de entrevistas e avaliações feitas pelo corpo clínico e conselho de administração. Os hospitais também exigem o pagamento de uma cota que pode ser parcelada ou paga integralmente.
Mas não é só isso. No Hospital Unimed, além de preencher todos os requisitos documentais, também é preciso analisar se existe demanda para o médico dentro da especialidade desejada, a fim de evitar concorrência entre os colegas. O médico Élson Rodrigues, presidente da Unimed, diz que em média de quatro a cinco profissionais por ano conseguem ingressar no hospital, mas tem mais que o dobro em solicitações. “Analisamos se a cooperativa tem interesse no ingresso de mais um médico e caso a resposta for positiva e ele for aprovado, passa a fazer parte do corpo clínico”.
No Hospital Regional, o processo não é muito diferente. O diretor clínico do hospital, Luiz Carlos da Fonseca, explica que o candidato é analisado ao máximo. “Entramos em contato com a faculdade, com o hospital onde ele fez residência, pedimos referência, analisamos a sua ética, a forma de relacionamento. Todo o processo gira entre 40 e 60 dias”.
Para Fonseca, a sondagem é necessária, pois o hospital lida com vidas e deve oferecer qualidade no atendimento. Segundo ele, por ano em média de 40 profissionais tentam ingressar na instituição. No ano passado, apenas oito conseguiram. “Há muita procura e também muita recusa. Temos um limite de capacidade”. Sobre o valor da cota, o diretor disse variar em torno de R$ 30 mil que podem ser parcelados em três anos.
A Santa Casa de Franca diz não cobrar a taxa, porém também tem algumas instâncias que o candidato deve cumprir. No total são quatro fases que vão desde a avaliação do currículo por uma comissão de credenciamento, aprovação pelo chefe da especialização, análise do Conselho Técnico e aval da diretoria civil. A Santa Casa tem 220 médicos e recebe, em média, 20 currículos por ano.
A médica dermatologista Aline Braga dos Santos, 30, sabe bem como é essa dificuldade. Formada há cinco anos, ela trabalha no Pronto-Socorro “Doutor Janjão”, em Cristais Paulista, no seu consultório, no plantão do Hospital São Joaquim e na clínica Dermoplastic. “Não %é fácil entrar no corpo clínico. Precisa batalhar”.
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