Recém-formado pelo Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, Frederico Rodrigues Nascimento, 26, trabalha como plantonista no Pronto-Socorro “Doutor Janjão” desde o início do ano. Natural de Franca, Nascimento é filho de um cirurgião pediátrico da cidade e pensa no futuro fazer alguma especialização. Antes de enfrentar os plantões de sexta e sábado, ele disse ao Comércio da Franca quais as dificuldades que um novo médico enfrenta na cidade. Confira:
Comércio da Franca - Depois de formado numa cidade como Ribeirão Preto, por que você resolveu vir para Franca?
Frederico Rodrigues Nascimento - Formei em 2006 e fui trabalhar em Serrana no Programa Saúde da Família. Também trabalhei como plantonista no Hospital São Joaquim. Morei em Ribeirão Preto, mas resolvi voltar para Franca onde prestei concurso, mas só voltei porque sou daqui e gosto da cidade. Além disso, há muito trabalho na cidade. O que facilitou é o fato do meu pai também ser médico. Para entrar num convênio particular, por exemplo, você precisa de um empurrão, caso contrário, o processo é bem complicado.
Comércio - O fato da sua família ser de Franca e de ter um pai médico foram determinantes para querer ficar na cidade? Se o cenário fosse diferente você escolheria Franca?
Frederico - Creio que não, Ribeirão Preto tem mais oportunidades para mim. Franca tem oferta de emprego, no Janjão tem vaga sobrando, mas acho que o grande fluxo de pacientes atrapalha a vinda de médicos para a rede pública. Faltam às vezes algum tipo de recurso, não tem raio-X e o atendimento acaba sendo precário. Tem muito a melhorar. Quem não é daqui acaba enfrentando mais dificuldades.
Comércio - Durante os seus plantões são quantos atendimentos? Como ele funciona?
Frederico - Faço plantões de 12 horas todas as sextas e sábados. São em média de 80 atendimentos, acho uma demanda muito alta. O ideal seria 40 pacientes, se não cai o nível do atendimento, uma consulta médica completa, com exame, precisa de 40 minutos, meia hora. Lá não, precisa ser rápido, cinco minutos, dez. O paciente não pode esperar, mas se tivesse um segmento correto, o fluxo seria menor. A pessoa não iria lá com a pressão descontrolada.
Comércio - O salário é atrativo? Ele pesa na decisão?
Frederico - Considero o salário do “Janjão” razoável, normal, mas se você for trabalhar em grandes centros como Campinas ou São Paulo, com certeza o salário é maior. Além disso, pesa o fato de Franca não ter faculdades ou centros de pesquisa. Acho que esse também é um dos pontos que atrapalham a vinda de mais profissionais. Tenho um amigo que deixou de trabalhar aqui, pois não teve como conciliar a especialização com o atendimento na cidade. Pesam também a infra-estrutura oferecida e a situação da saúde pública, já ouvi sobre falta de atendimento, de ambulância para transporte, isso afasta os novos médicos. Poderia ter mais investimento na área, aumento do Programa Saúde da Família que trabalha com a prevenção, o que diminuiria o fluxo no “Janjão” e até um novo Pronto-Socorro.
Comércio - Os novos médicos têm mais interesse em atender na rede pública ou particular?
Frederico - Nesse ano tenho interesse somente na rede pública, quando depois de uma especialização penso em atender na rede particular. Ela atrai mais pelo salário, condições de trabalho, mas o problema é que para entrar no convênio é preciso pagar uma cota. Não sei o preço, mas não é barato. O bom da rede particular é a estrutura, o salário é maior e você atende menos pacientes, talvez por isso sobrem vagas na rede pública. Conheço médicos que já chegaram a desistir de vir para a cidade.
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