Franca tem 1 médico para cada 870 pessoas


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NOVATA - A médica Aline Braga dos Santos: quatro locais de trabalho diferentes. “Precisa trabalhar”
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Salários abaixo da média, muita pressão na rede pública e uma dificuldade quase intransponível para entrar no clube dos convênios. Diante desse cenário, ser médico em Franca é para um grupo seleto. Para confirmar, uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra que a cidade está entre as 50 do País com maior carência de médicos e entre as dez piores do Estado de São Paulo. São 342 médicos para uma população de 300 mil habitantes, média de um profissional a cada grupo de 870 pessoas. Os dados têm por base o Datasus e levam em consideração municípios com mais de 250 mil habitantes. O estudo aponta que o déficit de médicos, como o que atinge Franca, é uma característica das regiões Norte e Nordeste. Para as regiões mais ao sul do País, a situação se inverte. Nos municípios de Niterói (RJ), Vitória (ES), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e, o mais próximo dos francanos, Ribeirão Preto, a média fica entre 93 a 186 habitantes para cada médico, índice próximo ao de Cuba, líder do ranking mundial, com um médico para cada 169 habitantes. O próprio presidente do Sindicato dos Médicos da cidade, Marco Aurélio Piacesi, reconhece um dos motivos que afugentam os profissionais da cidade. “Se a cidade não oferecer um bom salário e excelentes condições de trabalho, o médico não terá interesse de trabalhar no local”, disse ele, que ainda tenta contemporizar alegando que a ONU (Organizações das Nações Unidas) considera razoável a concentração de até um médico para cada grupo de mil habitantes. Mas, segundo ele, no município, paga-se em média R$ 2,4 mil para 20 horas trabalhadas, enquanto o proposto pelo Sindicato de São Paulo é de R$ 7,5 mil para o mesmo período de trabalho. A repercussão dos problemas administrativos vividos pela Santa Casa de Franca também é um fator para diminuir o interesse de novos médicos pela cidade. “A divulgação desses problemas acaba afastando possíveis interessados. Os médicos ficam preocupados. Causa um certo mal estar”. Prova desse repúdio ao trabalho médico em Franca é a baixa procura pelo concurso público aberto pela Prefeitura que encerrou o período de inscrições no último 11 de abril. Para as 35 vagas ofertadas a médicos emergencialistas, nas especialidades de clínico-geral e pediatria, houve apenas 34 inscritos. Para 18 vagas de clínico-geral foram 25 interessados e, na disputa por 17 vagas de pediatra, serão apenas nove candidatos. O salário é de R$ 2.450 por 20 horas por semana. NA PELE Médico plantonista no Pronto-Socorro “Doutor Janjão”, Frederico Rodrigues Nascimento, 26, é um dos poucos que aceitaram o desafio, mas já pensa em deixar o trabalho até dezembro para cursar uma especialização no próximo ano. O serviço é puxado e a falta de condições de atendimento são alguns dos agravantes que “expulsam” possíveis candidatos aos cargos. Alexandre Ferreira, secretário de Saúde, acredita que os médicos estão mal distribuídos no País e que faltam profissionais em algumas especialidades como oftalmologia, pediatria e neurologia. “Não sei avaliar porque faltam médicos em Franca, primeiro porque não sou médico. Na rede pública, pelo menos, estamos com o quadro suprido. Temos médicos suficientes, um dos melhores salários da região, medicamentos suficientes, facilidade para diagnóstico. Não temos problemas”, simplifica. Do outro lado, na rede privada, os desafios são diferentes, mas não menores. O médico Lavínio Nilton Camarim, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) em Franca, foi procurado, mas não retornou os recados deixados em seu consultório. As ligações em seu celular também não foram atendidas.

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