Estamos celebrando o sexto domingo da Páscoa. A primeira leitura das missas de hoje é um trecho dos Atos dos Apóstolos onde aprendemos que evangelizar é fazer o que Jesus fez.
O trecho nos faz entender o sentido da “providência divina” que vê longe. É martirizado Estevão: o primeiro mártir. A sua morte fez explodir uma grande perseguição contra os cristãos em Jerusalém. Muitos se dispersam e graças a isso o evangelho é anunciado na Samaria, despertando conversões e provocando contentamento. Samaria acolhe o anúncio da Palavra, através de Filipe, um dos sete ministros (diáconos). Filipe anuncia o Cristo e realiza milagres. As duas atividades estão unidas entre si. Anunciar o Cristo e já mostrá-lo presente na ação concreta.
Quem anuncia o Cristo elimina tudo o que aliena e despersonaliza o ser humano, dando às pessoas condições para que assumam responsavelmente a própria vida. Diante dos fatos vão para a Samaria Pedro e João: sua tarefa é completar a evangelização mediante a oração e a imposição das mãos. Os samaritanos recebem o Espírito Santo. O Espírito Santo vai conduzindo a evangelização, fazendo com que muitos povos façam parte do único povo messiânico.
O Espírito Santo não é propriedade de ninguém. Ele conduz e impulsiona. O Espírito Santo é o dinamismo da comunidade cristã missionária. Toda a ação missionária da Igreja é iluminada, impulsionada e fortalecida pela presença do Espírito Santo.
A segunda leitura é um trecho da primeira carta de São Pedro. Pedro exorta os cristãos para não desanimarem diante da perseguição que começou e que, com maior ou menor violência, vai durar mais ou menos duzentos e cinqüenta anos. O que fazer? Antes de tudo deve sentir o Cristo perto de si, dentro do próprio coração. Não é contra os discípulos que se desencadeou o ódio, mas contra o Senhor. Os cristãos devem possuir um comportamento diferente, fruto de suas próprias convicções.
O cristão quando atacado não pode, por motivo nenhum, usar palavras ofensivas e duras, nunca deve ser polêmico ou agressivo. É no uso de palavras suaves e mostrando um grande respeito e um grande amor, é que conseguirá criar disposições favoráveis, no coração daqueles que agridem, para aceitar a verdade. Pedro lembra que o exemplo é Cristo que também sofreu por ter praticado a justiça. Os discípulos não podem ficar surpresos se a eles acontece a mesma coisa.
O evangelho é composto por mais um trecho do discurso denominado “discurso de despedida” que Jesus pronunciou durante a última Ceia. Os discípulos entenderam que Jesus está prestes a deixá-los, estão entristecidos e se perguntam como lhes será possível permanecer unidos a ele e continuar amando-o, se ele vai embora.
Jesus promete não deixá-los a sós, sem proteção e sem guia. Diz-lhes que pedirá ao Pai para lhes enviar o seu Espírito que permanecerá para sempre com eles. Jesus esclarece que o Espírito está reservado aos que o amam, aos que observam os seus mandamentos, aos que praticam o amor ao irmão, como ele ensinou.
No coração em que reinar o mal, no lugar onde depositam os ódios, os desejos de vingança, os maus sentimentos, aí o Espírito não pode entrar. O Espírito de Deus impulsiona para comportamentos diferentes, nos ensina a praticar o amor, a sermos generosos, a servir os irmãos. O Espírito que vem de Deus e que Jesus comunica aos discípulos, leva os cristãos ao reconhecimento de que Jesus e o Pai são uma coisa só. Em comunhão com esse Espírito, também os cristãos são uma só coisa com Cristo.
UMA VIDA COM KAROL
Foi publicado no Brasil um belo livro com o título acima. Seu autor, hoje Cardeal, Stasnislaw Dziwisz, trabalhou como secretário de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, por trinta e nove anos seguidos.
Dziwisz percorre neste livro os momentos mais significativos da vida de Karol, Papa durante longo cenário histórico em efervescência, tanto para a Igreja Católica como para o mundo. O livro descreve o serviço pastoral do jovem bispo e de sua eleição como Papa em 1978; sua participação no Concílio Vaticano II, suas freqüentes viagens apostólicas no exterior, as longas horas passadas em oração e sua influência nos destinos do mundo.
Vale a pena ler. É fácil encontrá-lo nas livrarias católicas.
BENTO XVI E OS JOVENS
Na tarde do sábado, 19 de abril, o Papa Bento XVI se encontrou com jovens e seminaristas, em Nova York. No seu discurso, muito aplaudido, o Papa convidou para que cada um se sentisse responsável a levar o testemunho da Boa Nova de Jesus às ruas de Nova York, dos subúrbios inquietos às margens das grandes cidades.
O Papa os encorajou com o anúncio do Mistério Pascal, dizendo-lhes que como jovens americanos lhes são oferecidas muitas oportunidades de testemunhar a fé que possuem. O Papa alertou-lhos sobre a manipulação da verdade e deu-lhes pistas para que vivam a verdadeira liberdade e fiquem atentos sobre o relativismo tão divulgado em nossos dias. O discurso é muito rico no seu conteúdo!
PENSAMENTO
“Um só é o mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus” (I Tm 2,5).
José Geraldo Segantin é pároco da Catedral de Franca
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