Daniel Martins Paulino é outro braço direito de Adair Carvalho no Abrigo Provisório. Cuida da limpeza do refeitório e cozinha junto com as funcionárias do local. “Se deixar, ele lava e limpa tudo o dia inteiro”, tece elogios ao desabrigado o administrador do Abrigo. A brancura das cadeiras de plástico usadas pelos desafortunados que buscam auxílio no prédio municipal é testemunha do que diz Adair.
Daniel já foi peão, ou boiadeiro, como gosta de dizer. Tem traquejo de homem do campo, mas ao contrário do que se espera, não é tímido nem calado, pelo contrário: fala “mais do que o homem da cobra”, como diria o ditado popular mineiro. Sempre morou em Franca, já foi casado e tem família na cidade. Como os outros, não tem contato com eles há muito tempo, desde quando se enveredou para as noitadas regadas a muita cachaça. Além da família e amigos, o álcool quase levou também suas pernas. “Tinha dificuldades de me locomover. A bebida estava acabando comigo. Se eu não tivesse parado, eu não estaria hoje aqui falando com você”, disse.
Hoje garante que não bebe mais e que quando sai é para ir à igreja. Adair logo o lembra de suas recaídas. “Só poucas vezes. Não estou mais como antes”, se defende Daniel.
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