Uma recaída e um puxão de orelha para Daniel


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Daniel Martins lava as cadeiras do refeitório do Abrigo. Há três anos, quase perdeu as pernas por causa da bebida
Daniel Martins lava as cadeiras do refeitório do Abrigo. Há três anos, quase perdeu as pernas por causa da bebida
Daniel Martins Paulino é outro braço direito de Adair Carvalho no Abrigo Provisório. Cuida da limpeza do refeitório e cozinha junto com as funcionárias do local. “Se deixar, ele lava e limpa tudo o dia inteiro”, tece elogios ao desabrigado o administrador do Abrigo. A brancura das cadeiras de plástico usadas pelos desafortunados que buscam auxílio no prédio municipal é testemunha do que diz Adair. Daniel já foi peão, ou boiadeiro, como gosta de dizer. Tem traquejo de homem do campo, mas ao contrário do que se espera, não é tímido nem calado, pelo contrário: fala “mais do que o homem da cobra”, como diria o ditado popular mineiro. Sempre morou em Franca, já foi casado e tem família na cidade. Como os outros, não tem contato com eles há muito tempo, desde quando se enveredou para as noitadas regadas a muita cachaça. Além da família e amigos, o álcool quase levou também suas pernas. “Tinha dificuldades de me locomover. A bebida estava acabando comigo. Se eu não tivesse parado, eu não estaria hoje aqui falando com você”, disse. Hoje garante que não bebe mais e que quando sai é para ir à igreja. Adair logo o lembra de suas recaídas. “Só poucas vezes. Não estou mais como antes”, se defende Daniel.

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