Além de enfrentarem ônibus lotados e serem reféns dos horários, os 68 mil usuários do transporte coletivo de Franca ainda sofrem com a má conservação e falta de estrutura em alguns pontos de ônibus. Sol forte e chuva pela ausência de abrigos são as principais queixas de quem depende dos serviços das Empresas São José e Atual. Dos 1.280 pontos da cidade, apenas 265 (ou 20%) possuem cobertura. A Prefeitura é responsável pela instalação e conservação dos pontos. A proporção média entre número de passageiros e pontos com abrigo na cidade é a mesma de Bauru e Jundiaí, duas cidades com portes parecidos com o de Franca.
Um dos locais críticos de parada de ônibus na cidade está na Avenida Emílio Paludetto, na Vila Real. A estaca (palito) se encontra no meio do mato. A cena remete à famosa coleção de livros Onde está Wally?, que mostra um viajante que vive perdido em meio a vários personagens na praia, torcida de jogos e outras paisagens. É difícil encontrá-lo, assim como acontece com o sinalizador do ponto.
A situação num dos trechos da Avenida Doutor Chafic Facury, na altura do número 4291, é semelhante. Os passageiros também são obrigados a aguardar pelo transporte próximo a um terreno baldio e mato alto. A iluminação é precária. Cobertura, então, nem pensar.
Uma das vítimas da falta de estrutura nos pontos de ônibus é a doméstica Maria Célia Souza, 55. Diarista, toma ônibus duas vezes por dia, de segunda a sexta-feira. Ela e outros passageiros que esperam o transporte na Avenida Ismael Alonso Y Alonso se queixam da falta de proteção. “Quando chove, tenho de procurar um lugar para me esconder. O sol forte no rosto também é horrível. O ruim é que não tenho hora certa para pegar o ônibus e sempre acabo esperando um pouco pelo Circular I”, disse Maria Célia.
Os usuários do ponto da Avenida Rio Negro, próximo ao Carrefour, já foram beneficiados pela cobertura do local e banco. Mas há dois meses, desde que a estrutura foi “atropelada” por um caminhão, os passageiros “fritam” no sol ou se molham enquanto o transporte não chega. O caixa Carlos Lourival, 22, sai do serviço por volta das 16 horas e só encontra a sombra do poste para se proteger dos raios solares. “Tomo sol direto ou chuva sempre que vou embora. Mesmo quando tem cobertura, a gente molha, mas é bem pior sem”.
O repositor Ricardo Silva, 23, enfrenta o problema na saída do trabalho e no ponto de partida em sua casa, no Jardim Aeroporto II. “Precisamos da cobertura, especialmente em tempos de chuva e sol quente. Com tempo fechado, fico preso dentro da loja até a chuva passar”, disse ele.
Os pontos ficam cerca de 350 metros distantes um do outro. Para Celso Dias, gerente da Empresa São José, a distância é boa e está dentro dos padrões brasileiros. “No tocante à distância, até estão muito próximos porque hoje a média de distância de um ponto a outro é de 400 metros praticamente no Brasil todo. Aqui temos distância de até 200 metros. É preciso melhorar e aumentar a quantidade à medida que os bairros crescem”, disse ele.
PROMESSAS
João Marcos, presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), que supervisiona o transporte coletivo na cidade, reconheceu problemas nas paradas de ônibus, mas prometeu mudanças.
Segundo ele, a cobertura próxima ao Carrefour está em reforma e, se dentro de 15, 20 dias não estiver pronta, será colocada uma estrutura provisória. No caso da estaca na Avenida Emílio Paludetto, mudanças também estão previstas. “Vamos reconstruir toda a avenida e o ponto de ônibus será remodelado também”.
Para João Marcos, os pontos de ônibus francanos precisam de melhorias. “Entendemos que o conforto dos usuários de ônibus em Franca ainda está aquém. Mas a gente não tem deixado de melhorar, ampliar os pontos com cobertura e fazer manutenção de palitos e de piso do asfalto”.
A instalação de pontos bem como se serão cobertos ou não depende da demanda e freqüência das linhas. “Quando é uma linha nova, o bairro é novo e tem pouca demanda colocamos apenas um palito para indicar. A cobertura vem de acordo com o que evolui a demanda. Os bairros com mais passageiros têm pontos melhores”. As maiores demandas se concentram no Aeroporto, Paulistano, Leporace e Vila São Sebastião.
Segundo João Marcos, a definição das paradas depende de um “jogo de interesses”. “Definir o ponto de ônibus também é um critério difícil porque muita gente, dependendo do interesse comercial, nos pede para colocar o ponto. Enquanto os passageiros esperam, compram, por exemplo. Outros pedem para retirar da frente da casa deles. Não satisfaz a todos, mas é uma necessidade, tem de existir”, disse João Marcos.
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