Gripe é uma praga! Nessa época, então, é um “funga-funga” que não tem fim. Na escola, na faculdade, no serviço, na fila do banco, tem sempre alguém com o nariz vermelho, olhos pequenos, um rolo de papel higiênico debaixo do braço e um kit com analgésicos, antitérmicos e sprays nasais. Mas, afinal, onde essa mágica da multiplicação dos espirros vai parar? Ou melhor, onde tudo isso começa?
Segundo os especialistas, as condições climáticas - tempo frio e seco - propiciam a baixa resistência imunológica, que, somada à má-alimentação e a baixíssima ingestão de líquidos, típica das estações outono e inverno, causa a gripe - que é, na verdade, uma infecção das chamadas vias respiratórias superiores como a laringe e a faringe.
Transmitida por vírus, a gripe faz com que o doente fique indisposto, com dores no corpo, mal-estar, febre, dor de garganta, de cabeça e falta de apetite. Isso sem contar, é claro, os sintomas mais delicados e nojentos da doença como a coriza, congestão nasal, os espirros úmidos e escandalosos e a tosse carregada de uma secreção clara e fluída (confira como age um organismo contaminado com o vírus da gripe no infográfico desta página). “São justamente essas gotículas de saliva e secreção que fazem com que outras pessoas também sejam contaminadas. E isso não acontece somente quando alguém tosse ou espirra perto de você, pela respiração também se pega gripe. Daí, a importância de evitar lugares lotados quando se está doente”, disse o pneumologista Ciro de Castro Botto.
E os cuidados não param por aí. Para que você não sofra com a gripe ou para que ela desapareça é preciso evitar a friagem, tomar muita água, bebidas quentes e comer frutas, verduras e massas.
E se engana quem pensa que só os idosos e as crianças têm predisposição para a doença. “Em crianças com menos de dois anos e idosos com mais de 60, ela pode ser mais grave, mas qualquer pessoa está sujeita a contrair a doença”.
A estudante Mariana Costa, 18, sabe bem disso. Há cinco dias, ela está gripada e mal consegue ficar de pé. “Tomei chuva e aí fiquei assim. É uma sensação muito ruim, o corpo fica mole. Agora tenho que ficar de molho até sarar”, disse. Com medo do que poderia ser, Mariana foi ao médico no terceiro dia da infecção e, se seguir todas as recomendações médicas, deve melhorar em dois ou três dias. “Ah sei lá, doença para mim é tudo igual. Vai que era alguma coisa mais séria, achei melhor não arriscar”.
O mesmo cuidado tido por Mariana não passa pela cabeça da maioria dos pacientes que acaba sofrendo com as complicações de uma doença malcurada. “A gripe não é grave se for bem tratada, mas, à medida que o quadro se agrava, as chances do paciente desenvolver outras doenças como sinusite ou até uma pneumonia é bem maior”, disse Botto. “A conjuntivite viral também é um agravamento da doença”, completa o pneumologista Paulo Faleiros.
Mas este não é o único problema apresentado pela gripe. A auto-medicação também é perigosa e pode causar problemas graves ao paciente. “A indicação é que ele sempre procure um médico e tome apenas o que foi prescrito pelo profissional. Mas infelizmente as pessoas não levam isso muito a sério, o que pode agravar ainda mais a doença”, garante Botto.
Na impossibilidade de consultar um especialista, o médico recomenda a ingestão de um medicamento apenas para diminuir a febre e tirar a dor de cabeça como o paracetamol, que deve ser tomado, no máximo, três vezes ao dia, com intervalos mínimos de seis horas.
NÃO SE ENGANE
Por não ser grave e ter sintomas comuns, a gripe costuma enganar muita gente. Na maioria das vezes, é confundida com os resfriados -mais leves e causados geralmente pelo vírus Rino e não pelo Influenza, como nas gripes -(leia sobre as diferenças no quadro desta página). A sinusite, faringite, rinite, laringite, pneumonia e dengue também são facilmente confundidos com a gripe. E acredite, a única forma de diferenciá-las é por meio do diagnóstico médico. A dica é ficar atento e, se os sintomas persistirem ou aparecerem mais de uma vez durante um curto intervalo de tempo, caso contrário, a ajuda do médico é indispensável.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.