O PTB reuniu aproximadamente 60 filiados, na noite de ontem, no CPP (Centro do Professorado Paulista), para homologar Vanderlei Tristão na presidência do diretório municipal do partido. Foi nomeada ainda a nova diretoria executiva. As eleições de outubro também estiveram na pauta de discussões - embora ainda não oficialmente - e a tendência de lançar candidatura própria foi confirmada. Será marcada uma nova reunião, provavelmente na próxima semana, para discutir o assunto.
A maioria dos presentes defendeu a ruptura da coligação com o PSDB, do prefeito Sidnei Rocha. Nos discursos, era nítido que o desgaste na relação entre o tucano e o vice-prefeito Ary Balieiro (PTB) poderá influenciar na hora de votar pela continuidade da aliança. “Estamos em um governo autoritário e centralizador. Vamos ficar até quando na sombra?”, questionou o médico Wágner Deocleciano.
Mesmo o contido vereador Zezinho Cabeleireiro fez um discurso mais ousado que o de costume e procurou ressaltar a importância do PTB no governo municipal. “Não é só o Sidnei que age. Este ano, por exemplo, eu fui o campeão de emendas da Câmara e isso também ajuda nos resultados”, disse.
Ary não colocou panos quentes. Fez um discurso bem mais voltado para o rompimento do que para a manutenção da dobrada com Rocha. Disse que o partido tem de ter mais auto-estima. “Não precisamos ter medo de candidatura própria. Qual o problema nisso? Nenhum. Dizem que Sidnei e eu podemos rachar o eleitorado. E daí? Se for essa a nossa opção, será um desafio para nós”, disse.
Na seqüência, Ary voltou a dizer que só será favorável à aliança se Rocha ampliar a participação do PTB em um eventual próximo governo. “Coligação é participação. Não é só para eleger um chefe de governo”, afirmou. “Do jeito que está, não estou satisfeito”.
Depois do discurso, questionado se tem conversado com Rocha sobre o assunto, Ary foi irônico. “Não, ele está muito ocupado com a Expoagro. Montou até um gabinete para ele lá (no Parque ‘Fernando Costa’)”, provocou.
Um dos poucos que são abertamente favoráveis à renovação da aliança com Rocha, o secretário municipal de Finanças, Sebastião Ananias, ficou calado durante a reunião. Suas poucas participações ficaram restritas a rebater críticas da ex-vereadora Maria Inês Archetti, mulher de Ary, à estrutura orçamentária da administração, que é de sua responsabilidade. Sobre eleições, nada falou.
SEM ACORDO
Se os filiados do PTB confirmarem o posicionamento de Ary - de exigir mais participação no governo para costurar a coligação - e mantiverem a postura de ruptura é bem provável que não haverá acordo com Sidnei Rocha. Durante esta semana, Rocha confidenciou, nos bastidores, que “não dará um centímetro a mais” de espaço ao PTB e a seu vice.
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