Levanta, sacode a poeira


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O cotidiano das pessoas que sofrem grandes perdas e conseguem dar a volta por cima, como diz a canção do Vanzolini, chama a atenção da ciência, que busca explicar esse comportamento. Foi assim com a mãe de quatro filhas, todas com deficiência física e mental, que descia de uma Kombi todas as manhãs com um lindo sorriso nos lábios; perdeu duas delas e o sorriso se manteve. Nas empresas, nas escolas, na imprensa, o assunto é “resiliência”. Os chamados resilientes são os que superam as dificuldades e por maiores que sejam não se abatem. São aqueles que guardam, apesar dos pesares, uma intransigente crença na vida, do desemprego à morte de um filho, separação de pais ou até um tsunami. Essa constatação no cotidiano das pessoas tem atraído a comunidade científica a tentar explicar como pessoas passam pelo vale das trevas e não sucumbem, enquanto outras por motivos reparáveis, se entregam à morte. A resiliência sai dos caminhos do empirismo e começa a transitar pelas áreas de conhecimento em busca de sua origem. Ciências médicas, sociais, administrativas mexem e remexem saberes, tentam cada uma, à sua moda, definir conceitos. A flexibilidade e a riqueza dos vínculos estão interligadas ao conceito de resiliência, de acordo com Frederic Flach, ao cunhar o termo em 1966, emprestando-o da Física, que define como: capacidade dos diversos materiais de resistirem aos choques. Neurologistas e psicanalistas que pesquisam a resiliência, a exemplo de Bowly e Cyrulnik, afirmam que pessoas, em face do choque, podem sofrer uma desintegração psico-emocional, mas se defendem e buscam novas formas de vida para lidar com os traumas, reorganizando a vida. Drummond dizia que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”; e essa é uma boa notícia; mas quem de bom senso faria essa escolha? Será privilégio de escolhidos? Explicar cientificamente, entender melhor, quiçá na expectativa de desenvolver uma vacina para as dores, ou descobrir a “estrela na testa” que distingue pessoas. A biologia defende sua tese de que cada ser humano é dotado de um potencial genético que o diferencia dos demais, e nessa situação, não é diferente. A psicologia atribui às relações familiares e até intra-uterinas, de conforto e acolhimento, que se estende da infância à vida adulta, o que vem capacitar os indivíduos ao enfrentamento e à superação. Já a sociologia analisa o entorno, onde se encontram variáveis, dentre elas instituições e políticas públicas nada flexíveis e sempre na contramão das necessidades. Os acréscimos culturais desse entorno e as tradições podem construir essa capacidade nos indivíduos. A teologia aponta para uma visão da transcendência da dor, que tem em Cristo uma nova dimensão e propósito. As ciências humanas apontam concretamente para esses personagens reais do cotidiano que “reconhecem a queda e não desanimam”, em meio às injustiças sociais. Afirmam os especialistas que ninguém é resiliente sozinho. Sempre alguém representando apoio, acolhimento e otimismo encontra-se nesse cenário quase obrigatoriamente. Dr.Bowly, psicanalista e autor da Teoria do Afeto, admite a figura do mentor/tutor ou Figura de Apego. Só que essa escola que capacita para o afeto ainda não foi inventada. Isto é um dom aparente em algumas profissões diferenciadas, dentre elas, profissionais da educação, saúde, serviço social, um exército de voluntários e voluntárias que estão nas Ongs, no setor público, nas pastorais, nos hospitais, nas ruas, nos abrigos, nas creches e em qualquer lugar onde precisarem do colo, do ombro, do coração! Dê uma chance a resiliência! QUARENTA ANOS! É o tempo em que a ciência tenta explicar a resiliência. Sobreviver a governos e desgovernos. Testemunhar a quadrilha que se instala no poder, demonizando as Ong’s e privilegiando o sindicalismo que torra o dinheiro do povo com comes-e-bebes de homenagens pela concessão e confiança (sic). Dos “royalties petrolíferos”, nos municípios que esbanjam dinheiro do povo na contratação do compadrio. Resiliência quando jogam a inocência pela janela de um apartamento... Não dá não! É preciso quarenta vezes quatro para perdoar o hediondo! FIGURA DE AFETO, MENTOR, TUTOR! Tomara que o pessoal do Planalto não leia esta coluna. Aprenderiam um pouquinho sobre resiliência, figura de afeto, mentor e tutor, e certamente associariam à figura do atual presidente do Brasil. As muitas ciências perderiam em definições para a política, que explicaria melhor o termo a partir da ótica do presidente. A resiliência dos pobres que nada tendo vivem como se tudo tivessem, garantidos pela Bolsa Família que, de acordo com o mentor, tirou a todos da linha abaixo da pobreza. Subiram de “catigoria”! MÉDICO SE OFERECE Para o atendimento da dengue, no Rio de Janeiro, oferece-se médico-cirurgião. Graduação: Filho de Deus. Equipe que o acompanha: Espírito Santo. Experiência: infalível. Local de atendimento: todas as partes. Especialidade: operar milagres. Instrumento: a fé. Seu favor: a Graça. Obras publicadas: a Bíblia Sagrada. Doenças que cura: todas. Preço do tratamento: confiança Nele. Sua garantia: absoluta. Endereço do Consultório: seu coração. Filial: a igreja mais próxima! FRASE RESILIENTE! “Reconhece a queda e não desanima / levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. (Paulo Vanzolini). MARIA IGNEZ TOSELLO ARCHETTI é voluntária social, consultora para o 3o. setor, foi vereadora e secretária da Assistência Social.

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