Do mundo direto para o preço da marmita


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MARMITA SALGADA - O operador de máquinas Walduir Garcia (à esq.) e o colega José Paixão disseram que já sentiram o aumento nos preços: marmita mais cara
MARMITA SALGADA - O operador de máquinas Walduir Garcia (à esq.) e o colega José Paixão disseram que já sentiram o aumento nos preços: marmita mais cara
O que você tem a ver com o fato dos supermercados dos EUA limitarem a venda de arroz ou da Argentina bloquear o fornecimento de trigo para outros países? Pode até parecer muito distante, mas você certamente será um dos afetados. Esta série de acontecimentos internacionais faz com que o prato de comida do francano, até mesmo o mais simples, acostumado a comer marmita ou o famoso PF (prato feito), fique cada vez mais caro. A tendência é só piorar. Dados do IPES (Instituto de Pesquisa Econômica e Social) do Uni-Facef mostram que em um ano, os principais produtos utilizados que constam no prato do francano ficaram 68,91% mais caro. O líder da alta de preços é o óleo de soja, que passou de R$ 1,93 o litro, em abril do ano passado, para R$ 3,26 neste mês. A farinha de trigo também teve uma alta considerável, de quase 50%. No mesmo mês do ano passado, um quilo e meio do produto saía por R$ 2,18. Hoje, o preço médio é de R$ 3,26. Com tudo isso, todos sentem. Que diga a comerciante Luzia Elianay Rodrigues Tristão, que trabalha junto com a filha comercializando marmitas e pratos feitos. Naya, como é conhecida, diz que desde dezembro está fazendo malabarismo para não repassar a alta dos preços para os clientes. Chegou ao limite. “Já aumentou o preço faz tempo nos outros lugares. Nós estávamos mantendo, mas até o dia primeiro a gente vai aumentar”. A marmita mais barata, que hoje custa R$ 4,50, deverá passar a R$ 5. Os vilões, de acordo com Naya, são a carne, o arroz e o óleo de cozinha. Quem depende das marmitas, mesmo as feitas em casa, também já sentiu a diferença. É o caso do operador de máquinas Walduir Garcia. Durante a semana, ele reveza entre o almoço feito por sua esposa e marmitas de restaurantes. Nos dois casos foi sentido o aumento dos preços. “Aumentou um pouco o preço das coisas em geral. Eu não sei o motivo, mas que aumentou, aumentou. Em média, foi de 15% a 20% de aumento”. O colega de Walduir, José Reinaldo, arrisca o motivo do aumento. “Com certeza pode ser o mercado de fora. Farinha de trigo, por exemplo, vem de fora, e isso influi muito na economia do nosso País”. A fala de José Reinaldo ganha respaldo com a opinião do responsável pelas pesquisas do Ipes, o economista e professor do Uni-Facef, Hélio Braga. De uma forma simplista, o que está ocorrendo é a aplicação da máxima do capitalismo, de que quanto maior a demanda, maior será o preço da oferta de produtos. “Houve um aumento abusivo de demanda (por comida) no mundo e a oferta agrícola não consegue acompanhar isso aí. O motivo é o subsídio agrícola durante anos e a invasão de áreas agrícolas para a plantação de milho para produção de combustível. Como nós tivemos um crescimento de renda na China, na Índia, na América Latina, como no Brasil, as pessoas passaram a se alimentar mais e melhor”, diz Hélio. O cenário que se desenha para o futuro, segundo o economista, não é nem um pouco animador. “Teve esse descompasso entre oferta e demanda. Consequentemente os produtos agrícolas vão sofrer aumento de preços mesmo. A tendência é de alta por longo tempo. Lamentavelmente nós não temos um cenário positivo para os alimentos”.

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