Jovem patriota


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Milhares de jovens ingressam, todos os anos, nas fileiras do Exército Brasileiro através dos TGs (Tiros de Guerra) para prestarem o serviço militar obrigatório. Na minha opinião, isso é muito importante. Todo jovem, ao completar 18 anos, deveria cultivar o nobre desejo de servir a amada Pátria. A hierarquia e a disciplina são os pilares principais de sustentação do militarismo, educando o mancebo num regime que almeja forjar-lhe valores e conceitos sociais imprescindíveis, preparando-o para a “carreira” da vida. Tive o privilégio, no meu tempo de caserna, de conhecer um soldado diferente e quero contar sua história neste precioso espaço. Nós o apelidávamos de “pernilongo-elétrico” por seu jeito esquisito e desengonçado de jogador de bola. Tinha um sorriso grande e sincero; era fácil sentir sua integridade e a inocência com que enfrentava aquela nova vida de “milico”. Vindo de família simples de rurículas, gostava de contar piadas de caipiras e ficava imitando o jeito de cada um andar. Ele era aquele tipo de sujeito que ao chegar num determinado lugar, ganhava-o. Sua decisão de incorporar ao Exército era vista como grande oportunidade, principalmente em receber formação, mesmo que militar. Mas como uma coisa quase sempre leva a outra, o nosso “pernilongo” se destacava pela eficiência e prestatividade no cumprimento das missões a ele confiadas. A prática de esportes é bastante incentivada no meio militar. E ele foi aprovado com louvor em olimpíada interna, vencendo um “pentatlo militar” – prova com vários obstáculos com técnicas de ultrapassagem e estratégia – que testava a resistência até o último fôlego. O nosso “pernilongo” bateu todas as outras unidades militares de nossa Brigada Militar. Era certo que seu negócio não era o futebol; mas no “pentatlo”, não via ninguém à sua frente... Tinha feito seus estudos numa escola estadual e naquele momento, já podia sonhar com a faculdade. Logo seria promovido a cabo, mais tarde a sargento temporário. Com a morte do pai, tinha se tornado arrimo da família e a responsabilidade era gigantesca; só de irmãos menores, tinha seis... Como era “laranjeira” (aquele “milico” que vive no quartel) enviava seu soldo integral à mãe. Durante as noites, após o toque de recolher, buscava no quartel um bico de luz para que pudesse “papirar” (estudar), esforço que lhe rendeu uma vaga na ESA (Escola de Sargento das Armas). Um ano mais tarde já era 3º Sargento da Arma de Engenharia. Assumiu seu cargo no nordeste do País, onde ingressou em faculdade de engenharia. Concluiu o curso, deu baixa no Exército e abriu seu próprio escritório. Quando lhe perguntavam sobre haver escolhido o Exército, iniciando pelo serviço militar obrigatório, seu olhos ficavam marejados de lágrimas: “Eu não teria sido nada na vida, não fosse o caminho que escolhi...”. O jovem pernilongo fez a sua escolha. Doou-se a ela e acreditou. A recompensa veio. Ricardo Veríssimo Júnior Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e atual conselheiro do Comércio da Franca

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