O médico de família


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Há alguns anos existiam, ainda, os médicos de família: lembro que os pacientes tinham nome, eram tratados e examinados como gente. Hoje somos números e, dependendo do plano de saúde, ainda agradecemos pelo tratamento um pouquinho diferenciado. É preciso reinstalar a cultura do médico de família, com credibilidade. Não é difícil, mas requer competência, dedicação e compromisso com um ideal que se resume em “saber cuidar, querer cuidar” dos outros. Estar do lado de quem sofre, esforçar-se por entendê-lo, dar respostas às dúvidas do paciente, ampará-lo nos seus medos. Recordo-me que antigamente os médicos visitavam os seus pacientes e, se por acaso morriam, sua presença amiga era certa no sepultamento. Isso porque o médico de família era também um sacerdote, curandeiro, conselheiro, adivinho e acima de tudo, amigo. Quando criança, tinha um médico em Franca - não me lembro seu nome - que sempre ia em casa e mal entrava já sabia o que nós tínhamos... Morreu faz tempo e nunca mais soube de um profissional assim. Não se encontra médicos de família por aí, tudo é muito complicado, exames, hospitais, e nunca se sabe o que acontece com a gente..... Os tempos são outros. Será que os médicos de hoje não percebem que nós, quando doentes, ficamos frágeis, assustados e carentes de uma palavra amiga? Penso que deveria fazer parte do currículo da faculdade de medicina uma matéria indispensável ao médico: humanidade. O atendimento hoje é robotizado. Hospitais investem fortunas modernizando seus equipamentos de exames de ressonância, tomografia e cintilografia. E a cada dia que passa mais e mais pessoas estão se utilizando desses equipamentos que servem para mostrar que você está doente. Dificilmente você encontra um médico para orientá-lo, bater em suas costas, oferecer uma palavra de conforto, como faziam os profissionais de antigamente. Semana passada minha esposa levou a mãe, de 86 anos, ao consultório de um conhecido cardiologista de Franca. Quando entraram, o médico estava falando ao telefone. Minha sogra foi colocada em uma cama dura e desajeitada enquanto o médico falava não se sabe com quem. Depois de longos minutos o cardiologista colocou o fone no gancho. Levantou-se e não cumprimentou ninguém. Poucas palavras durante o ecocardiograma e no final, apenas a recomendação para retirar o resultado no mesmo dia à tarde com a secretária. Minha esposa ainda tentou se despedir, erguendo a mão. Precisou recolhê-la, o médico deu-lhe as costas. Esse mundo conturbado está fazendo com que os consultórios médicos fiquem lotados, os hospitais abarrotados, as clínicas transbordando gente até pelas janelas. Remédios então nem se fala, para cada doença você tem que tomar um complexo medicamentoso. Por essa razão, são muitos os que procuram um profissional com as características do médico de família; dos médicos que conheciam nosso corpo e nossa alma. Daqueles médicos que sabiam o que estava acontecendo e por quê. Se esse médico cardiologista que atendeu minha sogra soubesse da importância dele naquele momento, falaria e escutaria mais. Entenderia que temos uma parte emocional que facilmente se desestrutura. Saberia que não procuramos máquinas nem feiticeiro milagroso, mas um ser humano que se interesse pela nossa cura, que tire dúvidas e nos dê esperança, uma palavra de conforto e, se possível, uma pitadinha de compaixão e de calor humano... SUSPENSE O cenário político de Franca está digno de superprodução cinematográfica. Os atores principais estão sendo selecionados, no entanto, o suspense está no ar. Serão todos atores principais? Ao que tudo indica, tem candidato a prefeito indicado para o papel principal, mas, no final dos acordos, ele deve mesmo participar apenas como coadjuvante. Vamos aguardar e conferir... NEGATIVO Apesar das tantas maravilhas proporcionadas pela modernidade, em alguns aspectos parece que regredimos à obscuridade da Idade Média, quando boa parte da população da Europa sucumbiu vítima da peste negra. São passados mais de cinco séculos, estamos no Século XXI e a dengue vem se constituindo em horror, matando crianças e adultos, lotando hospitais e postos de saúde. Por essa razão, deixamos um alerta aos agentes sanitários. É preciso vistoriar os Cemitérios de Franca. A quantidade de jarrinhos de flores vazios, cheios de água de chuva, assusta as pessoas que chegam para participar de velórios e sepultamentos. Nesse ano, 17 casos de dengue já foram registrados na cidade. POSITIVO O serviço de sinalização das ruas e avenidas de Franca já começou. A prioridade é atender as vias que foram recapeadas. As pinturas das faixas divisórias em toda a extensão das duas pistas, das exclusivas de pedestres e de “pare” nos cruzamentos, estão sendo executadas à noite, para não prejudicar o tráfego de veículos. A população, que antes reclamava dos buracos, exige agora urgência na sinalização, alegando que muitos acidentes estão ocorrendo na cidade por culpa do novo recapeamento, que incentiva a velocidade de veículos. Cá entre nós, é duro agradar a todos, não é prefeito? RINDO NO VELÓRIO No meio da tristeza de um velório, a mulher olha para uma amiga e começa a rir. - O que é isso? - pergunta a amiga, aflita. - Estou rindo daquela coroa de flores em forma de coração em cima do caixão. - Mas essa é uma homenagem dos amigos para o falecido. Ele era o melhor cardiologista da cidade! - Pois então... É disso mesmo que eu estou rindo! Quero só ver como é que vai ser quando o meu marido morrer. Ele é o melhor ginecologista da cidade! EDWARD DE SOUZA é jornalista e radialista.

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