Os caramujos africanos que vieram para o País como uma alternativa à comercialização de escargot e têm ganhado o noticiário por conta das infestações em bairros de Franca e região encontraram nova morada. Depois das Vilas Tótoli e São Sebastião, o Jardim Paulistano 2 também sofre com a infestação do molusco. A área afetada, por enquanto, é a de um quarteirão e causa transtornos para os moradores das casas em volta de um terreno baldio com lados para as Ruas Mário Martins, Gilberto de Aguilar e Salvador Bernal Gonzales. O mato alto e os restos de construção civil do local aceleram sua proliferação.
Apesar do sol escaldante, o muro da casa de número 580, pintado de verde-claro, parecia receber bolinhas pretas para sua decoração. Eram os moluscos que aparentemente davam um “tempo” na escalada da parede por conta da alta temperatura. Segundo o dono da casa, Antônio Gimenes do Nascimento, e sua mulher, Vanilda Silva do Nascimento, a situação piora à noite, quando a temperatura cai.
“Eles saem do mato e invadem a calçada, entram em casa. É um horror. Meu marido tira caramujo com a pá, de tanto que aparece”, disse Vanilda.
Segundo Fernando Baldochi, chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, os caramujos africanos são resistentes ao calor e à seca, mas precisam de condições ideais para se reproduzirem e se manterem vivos. “Assim como nos casos da Vila Tião e da Vila Tótoli, encontramos áreas de infestações com muito entulho, lixo e mato alto. É necessário também a conscientização da população”, disse Baldochi. Antônio Gimenes não conhece o dono do terreno ao lado de sua casa. O morador do Paulistano pretende acionar a Prefeitura para efetuar a limpeza do terreno e se ver livre das pragas.
COMO VIVEM
A bióloga Janaína Silva reforça a limpeza dos terrenos como a melhor forma de controlar a infestação dos caramujos. Os incomodados também não devem jogar sal nos moluscos para matá-los, já que a prática não elimina o problema dos vermes hospedeiros transmissores de doenças. “O ideal é que se capture os animais em sacos plásticos sem contato direto com as mãos e acione a Vigilância Sanitária para fazer a destinação correta dos animais”, disse. Neste caso, a incineração dos caramujos é o método mais indicado.
Janaína ainda orienta a população a não jogar os animais em lixos que serão destinados ao aterro sanitário, pois o efeito seria pior. “Os aterros são locais ideais para reprodução desses animais”, explica. Segundo Fernando Baldochi, locais que contêm tijolos, telhas e madeira empilhados servem para a procriação dos caramujos. Vale lembrar que os caramujos africanos comem praticamente qualquer coisa como folhagens e até sacolas plásticas, papelão e sola de sapato.
Entre as doenças que o bicho pode causar está o distúrbio gastrointestinal. Quando ocorreu a infestação na Vila Tótoli, mês passado, a parasitologista Colete Fonseca alertou que, em casos raros, pode causar meningite.
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