O garoto de 10 anos flagrado com maconha dentro da escola no Jardim Aeroporto III traz à tona uma triste estatística. Dados do Conselho Tutelar de Franca revelam que no ano passado cerca de 15 crianças, de até 11 anos, foram pegas consumindo drogas. Neste ano o número tende a aumentar. Até agora, são dois casos registrados por mês de garotos de 9 a 11 anos usando entorpecentes. O mais comum, maconha. “Notamos que as ocorrências envolvendo crianças estão aumentando. Além das denúncias que estão sendo investigadas, atendemos à média de dois casos confirmados por mês. É uma situação preocupante”, disse o conselheiro tutelar Lucas Verzola.
Ricardo (nome fictício), de apenas 10 anos - flagrado com maconha dentro da Escola Estadual “Professor Sérgio Leça”, no Jardim Aeroporto III, no meio da tarde de ontem -, é o mais novo retrato desta realidade. Apesar da pouca idade, o garoto carrega uma longa história. Há seis meses ele vive longe da mãe que mora em uma fazenda de Patrocínio Paulista. O pai, um comerciante aposentado de 75 anos, tem outros 11 filhos mais velhos e cuida do garoto sozinho. “Criei 11 filhos e só este está me dando trabalho. Ele fuma essa droga há muito tempo”, disse o pai do garoto no dia que o filho foi detido. Ontem, a casa do aposentado estava fechada durante a tarde.
Além da falta de estrutura familiar, a criança vive em um bairro onde o problema com droga é comum. Em matéria publicada em fevereiro deste ano pelo Comércio da Franca, o Jardim Aeroporto aparece como o terceiro bairro com a maior incidência de jovens infratores. Em 2007, 235 menores em situações criminosas moravam no Jardim Aeroporto (I, II e III), Aviação e adjacências. Os dados são da Vara da Infância e da Juventude.
Para o promotor de Justiça José Augusto de Arruda Neto, a escola tem uma função importante na diminuição destes dados. “A escola poderia trabalhar com a prevenção. Ela tem uma função importante em saber o que está acontecendo com o aluno e informar o Conselho Tutelar para tomar medidas protetivas”, disse. “Para uma criança de 10 anos pegar maconha, muito provavelmente ela já estava dando sinais de problemas. Isso o professor e a escola precisa ter a sensibilidade para ver o que esta acontecendo e acionar o Conselho tutelar”, disse o promotor. A reportagem só não conseguiu descobrir quais medidas têm sido tomadas pelos profissionais da escola “Sérgio Leça”. Na tarde de ontem, a diretoria disse que não falaria sobre o assunto.
Resta à família evitar que as crianças tenham contato com os aliciadores. “O diálogo, a conversa sincera, os bons costumes na frente dos filhos, tudo isso ajuda. Ao perceber o comportamento arredio do filho é importante checar que tipo de problema ele vem enfrentando. Os pais precisam estar mais presentes”, disse a psicóloga Fabiana Zagolim.
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