Fiquei sabendo de uma notícia, no mínimo curiosa. Um médico deseja utilizar-se de condenados à morte como cobaias humanas para suas pesquisas “científicas”. Ele pretende descobrir a cura para o Mal de Noma, amputar pernas e braços para aprender a regenerá-los, estudar a resistência humana à água fervente e gelada, estudar a cor dos olhos injetando corantes, dissecar anões vivos para estudos imprescindíveis de anatomia e estudo de malformações.
Esse médico é famoso e aposto que o leitor já ouviu falar dele, já que teve uma passagem de uma década em nosso País, embora ele seja mais conhecido por seu carinhoso apelido, devido aos seus encantadores olhos azuis, Dr. Josef Mengele, “O Anjo da Morte”. Refrescou a memória? Esse médico nazista tornou a vida dos condenados à morte em Auschwitz ainda mais cruel, especialmente das crianças. Incluem-se judeus, ciganos e deficientes físicos. E o que a ciência de Mengele acrescentou? Nada!
Vejamos outra lição que a história nos ensina. A moderna “engenharia” revolucionou o mercado ao inventar a ração feita com carcaças, entre elas as de carneiros. E isso foi muito bom e representou enormes ganhos, tanto na alimentação do gado quanto na redução dos custos. E a Europa prosperou, até que... apareceu a epidemia de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) ou “vaca louca” em 1986. As vacas e bois foram contaminados depois de ingerir rações infectadas por príons mutantes.
O mal da “vaca louca” atingiu seu pior momento em 1993. Eram mais de mil casos identificados por semana. E quem foi culpado? O governo britânico é quem foi acusado de ter negligenciado o problema, demorar muito para sacrificar o gado contaminado e não ter alertado a população.
Hoje, vemos uma grande discussão sobre o uso científico de células embrionárias, tendo os paraplégicos como maiores defensores, como se fosse possível curá-los com alguma técnica. Apesar disso, a posição da Igreja Católica é clara, desde o Século I: matar criança nascida ou não ainda é pecado, gravemente contrário à lei moral (ver º 2271 do Catecismo).
A Bíblia ensina que o embrião é um ser humano vivo. Vemos nos Salmos (21,11): “Eu vos fui entregue desde o meu nascer, desde o ventre de minha mãe vós sois o meu Deus”. E ainda (139,13-15) “Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe, quando fui formado ocultamente, quando fui tecido nas entranhas”. E ainda em Jeremias (1, 4-5): “o Senhor disse-me: antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações”.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que (vide º2270) a vida humana deve ser respeitada e protegida a partir do momento da concepção, já tendo direitos, especialmente o direito inviolável de todo ser inocente à vida. Também ensina que (º2274) “é imoral produzir embriões humanos destinados a serem explorados como material biológico disponível”.
Mário Eugênio Saturno
Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva.
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