Não tenho nada a esconder, mas mesmo assim não vou te mostrar. Essa foi a regra geral na sessão de ontem, na Câmara dos Vereadores, para derrubar o projeto de Graciela Ambrósio (PP) que previa uma declaração anual de bens para prefeito, vice, secretários, vereadores e ocupantes de cargos comissionados de primeiro escalão, na internet. A matéria precisava de dez votos para ser aprovada e contou com somente cinco.
A alegação geral para embasar a rejeição foi que a divulgação do patrimônio pela rede mundial de computadores poderia expor os políticos mais abastados à ação de marginais.
Sobraram justificativas para votar contra Graciela. Alguns vereadores chegaram a dizer que temiam assaltos, seqüestros e outras ações do tipo. “Nós já entregamos nossa declaração de Imposto de Renda todos os anos na Câmara. Há controle interno sobre isso e não seria necessário tornar público”, disse Donizete da Farmácia (PMN).
Até mesmo quem diz não ter posses votou contrário à iniciativa. Foi o caso de Zezinho Cabeleireiro (PTB). Para ele, seria “desnecessária” a vinculação patrimonial. “A imprensa hoje dá notícia de tudo da vida da gente. A vida do político já é um livro aberto. Quem quiser a prestação de contas pode pedir aqui na Câmara”, disse. “Eu, por exemplo, praticamente não tenho nada. Do jeito que eu entrei, continuo”, completou.
Graciela, que contou com os votos de apenas quatro outros vereadores (Marcelo Valim, do PSDB; Marcelo Mambrini, do PMN, e Silas Cuba e Gilson Pelizaro, ambos do PT), disse ter ficado decepcionada com a decisão dos parlamentares. “Isso já é feito pela internet no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ali constam os bens dos agentes políticos. Por que não colocar também no site da Câmara”, afirmou.
E não foi só esta derrota sofrida por Graciela. O projeto que tinha por objetivo realizar um referendo para que a população opinasse sobre o contrato da Prefeitura com a Sabesp para a realização dos serviços de água e esgoto na cidade também foi rejeitado. “Mais uma vez a Câmara errou. Eu só visava à moralidade e à transparência”, disse a vereadora.
A terça-feira não reservou apenas derrotas para Graciela. A vereadora conseguiu aprovar seu projeto que torna obrigatório, a partir de agora, a divulgação por meio do site da Câmara dos valores gastos com homenagens, contas telefônicas e despesas de viagens dos vereadores bancadas com dinheiro público.
POUCO MAIS
O restante da sessão trouxe como destaque uma suplementação de verba da Prefeitura de R$ 1,1 mil para a Secretaria de Obras. O dinheiro será utilizado, principalmente, em sinalização de trânsito e na compra de dois aparelhos de radares móveis.
As outras matérias, a maioria sem grande relevância, foram rejeitadas ou adiadas. Como a que previa a obrigatoriedade de voto ao presidente da Casa, Joaquim Ribeiro, cuja votação foi protelada por duas sessões.
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