Há dois anos, uma mulher tenta reaver na Justiça o dinheiro que perdeu depois de cair em um golpe dentro de uma agência bancária em Franca. Maria Santana Oliveira, 84, foi vítima de um bandido que se fez passar por funcionário do Banco Itaú e lhe roubou R$ 2 mil. Na época, como não recebeu nenhum respaldo da empresa, ela decidiu entrar com processo contra o banco. Em janeiro deste ano, a Justiça o condenou a pagar R$ 20 mil à idosa (por danos materiais e morais). A empresa recorreu. O processo, agora, será julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Era manhã do dia 5 de março de 2006. Maria Santana, hoje com 84 anos, acompanhada da nora Sandra Emerenciano, 38, fez um empréstimo no Banco Itaú no valor de R$ 2 mil. Sacou o dinheiro no caixa e saiu. Na esquina da agência, um homem bem vestido, usando gravata, chamou Sandra e disse que o valor sacado era alto e que deveriam voltar à agência para falar com o gerente. Ela estranhou, mas atendeu ao pedido.
Como Maria Santana anda devagar, Sandra voltou sozinha. Dentro da agência, o homem fingiu ter ido até o gerente, voltou pedindo o dinheiro e que ela fosse buscar a sogra para assinar um documento. Assim ela fez. Cinco minutos depois, quando Sandra chegou com a sogra, o homem havia desaparecido com o dinheiro. Na hora, elas se desesperaram. “Eu quis chamar a polícia mas não deixaram. O pior é que nos trataram mal. Nem um copo de água ofereceram. As pessoas me olhavam e achavam que estava mentindo”, disse Sandra.
A idosa, que iria utilizar o empréstimo para construir um quarto na casa da nora, ficou sem os R$ 2 mil e com uma prestação mensal de R$ 103 para pagar por um período de três anos. Sem nenhum apoio do banco, a única alternativa foi reclamar na imprensa. Na época, elas foram até a Rádio Difusora e o repórter Daniel Rodrigues as orientou a procurar pelo advogado Denilson de Carvalho, especialista em Direito do Consumidor. Denilson entrou de imediato com o processo e a Justiça condenou o banco a pagar R$ 20 mil a Maria Santana.
A sentença foi publicada em janeiro, mas o banco recorreu. Mesmo assim, Sandra tem esperança de reaver o dinheiro roubado. “Nós não vamos desistir. Se tivessem roubado fora do banco tudo bem, mas foi dentro da agência. O homem usava roupas parecidas com a dos funcionários e, para piorar, não havia uma câmera registrando o que aconteceu”.
Para o advogado Denilson de Carvalho, o caso prático de Maria Santana alerta os consumidores e abre precedentes para que as vítimas de golpes dentro de agências bancárias passem a ingressar com ações judiciais para verem ressarcidos seus prejuízos. Ainda segundo ele, este tipo de processo é atípico na cidade. “Atribuo isso a ausência de ação dos consumidores que muitas vezes passam por um determinado golpe e acabam se calando”.
O gerente do Banco Itaú (agência Centro) foi procurado para falar sobre o processo. Ele disse que entraria em contato com o jurídico da empresa para saber o que dizer a respeito do assunto. Até o fechamento desta edição, ele não havia retornado à ligação.
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