Os donos de postos de gasolina de Franca têm uma das maiores margens de ganho no litro do álcool do Estado. Com isso, o preço do combustível, que é produzido na região, acaba se tornando também um dos mais caros de São Paulo, comparável com os cobrados em cidades turísticas como Guarujá e São Vicente, litoral paulista.
Os dados são da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e levam em consideração o preço do álcool na semana entre os dias 6 a 12 de abril. De acordo com a agência, Franca tem o décima maior diferença entre os preços médios cobrados pelas distribuidoras e os do consumidor, de R$ 0,34 por litros. Ao todo, foram pesquisadas 118 cidades, escolhidas por um sistema que, segundo a ANP, representa diversos tipos de municípios.
Questionado sobre o motivo da margem estar entre as mais altas do Estado, o presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo) em Franca, Walter Luiz da Silveira, tem uma resposta direta. “Nós infelizmente não podemos tocar em preço. O sindicato não opina sobre preço. Cada um faz o seu”. O motivo de não se falar em preço, de acordo com Walter, é uma outra suspeita que há tempos recai sobre os donos de postos de combustível em Franca, a formação de cartel. “Preço não tem combinação, não tem cartel, não tem como juntar todo mundo e falar sobre preço. O sindicato está desautorizado a falar sobre preço”. Apesar de não comentar valores, Walter aproveitou para reclamar dos custos cada vez maiores do setor. O motivo seriam as exigências de segurança e do Ibama.
Já outro proprietário de posto, que pediu anonimato, disse que a diferença entre os preços depende do valor cobrado pelo vizinho e considera que o preço não é alto. A justificativa para isso são os custos para manutenção do estabelecimento. “Já trabalhamos com a margem-limite. Menos do que isso, não dá para manter o posto aberto”. Questionado sobre como o proprietário de um posto de Ribeirão Preto consegue reduzir esta margem em até dez centavos, ele diz que “só perguntando para eles”. “Não sei qual a realidade deles, mas por aqui não dá para trabalhar com menos que isso”.
O caso de Ribeirão é um exemplo do efeito das diferenças nas margens de preço. Lá, o preço médio da distribuidora é de R$ 1,079, contra R$ 1,033 cobrado em Franca. Para o consumidor, no entanto, esta “vantagem” é totalmente perdida. Enquanto o preço médio do álcool na cidade é de R$ 1,331, em Franca, o mesmo combustível custa R$ 1,373.
A secutarista Angélica Simpliciano, 31, já percebeu esta diferença. Ela comenta que, como tem que ir para Ribeirão constantemente, abastece na cidade vizinha. “Lá é mais barato, quando vou para Ribeirão, aproveito e abasteço, sempre enchendo o tanque”.
EXTREMOS
A pesquisa realizada pela ANP aponta ainda que Franca é a 15ª cidade com o álcool mais caro de São Paulo. Na frente dela, cidades como Caraguatatuba, Campos do Jordão e Santos. O preço mais baixo foi notado em Itápolis, onde o litro do combustível custa R$ 1,173, seguida por Itaquaquecetuba (R$ 1,175) e Jales (R$ 1,187). Já os preços mais altos foram registrados em Caraguatatuba (R$ 1,493), Cubatão (R$ 1,486) e Ibitinga (R$ 1,474). A ANP, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que a legislação brasileira diz que os preços dos combustíveis são liberados e, portanto, não cabe à agência tomar qualquer atitude a respeito. Já o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), assim como o Sincopetro, disse que não comenta preços. Os dados colhidos para pesquisa são semanais e estão disponíveis no site (www.anp. gov.br).
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