Triste. Muito triste torna-se uma casa desabitada. Aumentando a linha de raciocínio, mesmo sendo uma edificação de porte maior, destinada a receber grande número de pessoas, por um espaço curto de tempo, ganha também um ar de melancolia, quando deixa de executar seus serviços ao público.
A prova disso está no antigo prédio em que funcionava o Ateneu de Franca, depois Instituto Francano de Ensino e até não muito tempo atrás Escola Alto Padrão. O edifício fica bem no Centro, na confluência da Rua Simão Caleiro com a Campos Sales. O prédio já apresenta alguns vidros quebrados. A falta de atividade confere-lhe uma tristeza sem fim, por dentro e por fora.
Não muito distante, localiza-se o antigo salão social da Associação dos Empregados no Comércio de Franca (AEC). O local ofereceu lazer sadio à juventude francana por várias décadas. Quantas histórias existem na mente de tantos e que tiveram início exatamente na AEC. A alegria por ali era contagiante. Hoje só restam lembranças. Há também um cartaz oferecendo o prédio para aluguel, faz meses.
Para completar o tripé, na Rua Alcindo Conrado jaz a edificação do Hospital Infantil. Por longos anos foi somente um esqueleto de concreto armado. Por algum tempo, a Santa Casa utilizou o espaço para abrigar o setor de atendimento infantil. E a sina do prédio do Hospital Infantil continua. Ou seja, nunca se concretizou.
Toda palavra já traz em si mesma uma carga de história e de significado. Casa, por exemplo, vem do latim. A significação é variada: edifício destinado à habitação, moradia, domicílio, habitação, etc. João Cabral de Melo Neto escreveu: “(...) uma casa não é nunca / só para ser contemplada / seduz pelo que é dentro / pelo que dentro fizeram / com seus vazios, com o nada / pelos espaços de dentro / não pelo que dentro guarda (...)”. Só a edificação não é nada. O que conta são as pessoas. Não pela vivência, mas pela convivência dentro da casa. Pelo calor reinante entre os habitantes.
Está lá no dicionário: “lar”, que também vem do latim e quer dizer parte de uma lareira (lugar onde se acende o fogo) ou parte de uma cozinha, próximo ao fogão. Pena que hoje em dia quase só se use fogão a gás!
A sabedoria popular dificilmente falha; ou então não haveria o adágio: uma casa não é um lar, se dentro dela não houver calor, substituído metaforicamente por amor, que nada mais é do que convivência. Ao pé da letra, claro está.
Antônio Araújo
Professor. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.