Desde o último dia 11, o secretário municipal de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto, não é mais o presidente da Copel (Comissão Permanente de Licitações). Para o cargo, foi nomeado, por portaria do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), Sérgio Gerbazi.
A mudança deverá representar alterações de gestão na comissão já que, na teoria, Gerbazi, bacharel em Direito e chefe da Divisão de Compras, é quem manda. Na prática, as decisões passam todas pelo secretário de Finanças, Sebastião Ananias.
Na sexta-feira, isso ficou evidente. Ao ser questionado sobre as mudanças, Gerbazi não quis se manifestar. Disse que “somente Ananias falaria sobre o assunto”.
Até maio do ano passado, o comando da Copel era de Caetano Perobelli, que era subordinado a Ananias. Mas, após a descoberta do “Escândalo do Bagres” - tentativa de fraudar uma licitação por um grupo de empresários e servidores públicos - Rocha, em uma espécie de intervenção “branca”, passou o comando para Jerônimo.
Em agosto do mesmo ano, porém, Rocha remodelou novamente a comissão e dividiu as atribuições entre Ananias (que não reclamou publicamente, mas não “engoliu” a mudança) e Jerônimo. Ou seja, onde mandava um, passaram a mandar dois, com mais peso de decisão ao segundo.
Agora, de novo, a situação se inverteu. Embora oficialmente a saída de Jerônimo faça parte da “rotina administrativa” da Prefeitura, um vereador ligado a Rocha afirmou que a real motivação foi uma série de problemas em editais de licitações desde a divisão da Copel. Foram registradas falhas em pelo menos dez processos. Alguns foram impugnados (radares, ambulância e canalização do Córrego dos Bagres), outros terminaram vazios (venda das contas dos servidores, Expoagro e ponte do Jardim Veneza) e um foi suspenso por recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) - novamente relativo ao córrego.
Os principais envolvidos no vai-e-vém, Ananias e Jerônimo, agem polidamente. Chegam a ser até cordiais. Mas, na prática, a troca representou mais um round na disputa entre os dois, que não escondem a rivalidade e já trocaram farpas anteriormente (leia mais em texto nesta página). Jerônimo afirmou também que a substituição na chefia da Copel a cada ano é uma exigência legal.
“É normal esta mudança, mesmo porque a lei federal estabelece que comissões de licitações permanentes devem obedecer a alguns critérios e um deles é a renovação da presidência a cada ano”, disse.
Questionado se, partindo desta primícia, o prefeito Sidnei Rocha infringiu a legislação ao deixar o ex-presidente Caetano Perobelli por período superior a este, Jerônimo preferiu se eximir de opiniões. “Não posso falar sobre este caso. No meu, eu não quis ficar por mais de um ano”.
Ananias também achou a troca natural, mas sob outro prisma. Para ele, a Copel tem, mesmo, de ficar vinculada à pasta de Finanças. O secretário classificou a divisão temporária no comando com Jerônimo como emergencial. “Quando nós tivemos aquele incidente (Escândalo do Bagres), minha secretaria, que cuida das compras e pagamentos da Prefeitura, teve a saída de alguns servidores. Com isso, solicitei ao prefeito, após conversar com o Jerônimo, que ele assumisse parte das ações”, disse Ananias.
Para ele, as coisas, agora, voltaram “ao devido lugar”, ou seja, ao seu comando. Ananias não escondeu a satisfação de voltar a ditar sozinho as regras na Copel. “No meu entender, tudo está acertado. Voltamos com a comissão funcionando no sistema anterior, com tudo dentro da minha secretaria”, disse.
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