Doação a instituições educacionais ou de caridade, produto à venda por preço de “banana”, presente para amigos ou ainda um hobby. Foi assim que terminou o sonho de sucesso das pessoas que viram na criação de avestruz uma maneira de engordar vertiginosamente seus lucros e enriquecerem na vida. Prática comum no Canadá, Estados Unidos, Europa e Israel, a estrutiocultura (criação de avestruzes) virou febre no Brasil entre os anos de 2002 a 2004, quando o país possuía, em média, 120 mil aves e estava entre um dos cinco maiores plantéis do mundo. Atualmente, este número é bem maior (450 mil), mas, na região, os ex-criadores garantem que definitivamente avestruz não é um bom negócio.
O comerciante Rômulo Trevisani, 50, sabe bem disso. Há seis anos, chegou a ter mais de 200 animais. O desejo de prosperidade, porém, não passou de um investimento fracassado. Hoje são apenas 13 mantidos graças à paixão pelas aves.
Para começar o negócio, Rômulo investiu R$ 25 mil na compra de dois casais importados da Califórnia. Sua intenção era fazer com que procriassem para então abater os animais e vender seus valiosos insumos como as penas, couro e carne. “Para isso, criamos uma cooperativa, oficializamos um abatedouro, fizemos a nossa marca, tentamos de tudo, mas não adiantou. Vendemos os produtos pela metade do preço e hoje os que tenho não sairiam por mais que R$ 500”.
O comerciante garante que não se arrepende, mas que não pensa em recomeçar a criação. “Valeu a experiência, mas o que passei, no sentido comercial, foi muito triste. No mais, ajudei entidades assistenciais e presenteei amigos, isso me deu muita satisfação”.
Os ex-criador culpa a falta de planejamento dos órgãos responsáveis pela estrutiocultura no Brasil como um das principais causas da crise. “A concorrência começou a ficar apertada demais. Era muita gente querendo vender e pouca querendo comprar”, disse Rômulo.
A crise foi intensificada em 2005, depois que a maior empresa do ramo faliu. “Isso trouxe insegurança para o negócio e muitos compradores acabaram desistindo do avestruz”.
O engenheiro agrônomo Adalto Barbosa de Matos, 43, concorda. Mesmo com o plantel de apenas 30 animais ele também sofreu com o golpe. “Em 1996 paguei cerca de 7 mil dólares em cada animal adulto, mas agora não encontro mercado rentável para comercializar os filhotes e por uma matriz tiveram a coragem de me oferecer R$ 250”. Ao contrário de Rômulo, Adalto preferiu doar todos os seus animais para uma universidade.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.