Está ficando cada vez mais difícil encontrar aquelas famosas vendinhas em beira de estrada. O baixo movimento e o medo da violência têm assustado os comerciantes. Quem resiste vive com medo de assalto e só não desiste do negócio por falta de alternativa para sustentar a família. Trabalham de domingo a domingo e, na maioria das vezes, ficam abertos até tarde à espera do cliente que nem sempre aparece.
Essa é a realidade do Bar dos Carlinhos, do comerciante Carlos Torralbo, 49. A vendinha dele está localizada no fim da Rodovia Manoel Carrijo, nas proximidades do clube Águas Quentes. Torralbo abriu a venda há quatro anos depois de ser demitido de uma fábrica de calçado em Franca. O comerciante não gosta de falar em faturamento, só afirma que é de lá que sai todo o dinheiro para sustento da família. Não tem sido fácil. “O movimento aqui foi muito bom. Antigamente, as pessoas que vinham para os ranchos paravam aqui para comprar. Hoje em dia a maioria dos meus clientes mora na região mesmo”.
Para a família de Torralbo, não tem dia de descanso. A vendinha abre de domingo a domingo, das 7 às 20 horas. Apesar de ficar até 13 horas de portas abertas, ela fica boa parte do tempo vazia. Entre as mercadorias que mais vendem, estão cerveja e água. Mas, o freguês pode encontrar de tudo no Bar do Carlinhos. Tem sabonete e sabão de barra; cera para carro, arroz, detergente, xampu, papel higiênico e até anzol e vara de pesca. Se o cliente não for muito bom de pescaria, pode comprar o peixe no bar mesmo. O comerciante não gosta muito de falar de violência, mas admite que já foi assaltado. “A segurança aqui é Deus”.
Andando mais alguns quilômetros, aparece a venda de Luís Carreiro, 49. Ela fica na região de Porteira da Pedra no município de Claraval (MG). O local é de difícil acesso e a estrada é de terra. A região é cercada por fazendas e chácaras que formam a clientela de Carreiro que comprou a venda há pouco mais de dois meses. “Eu morava em Franca e mudei para a roça por que eu gosto mais daqui. Para arrumar dinheiro, eu comprei a vendinha”, disse. Pelo negócio pagou R$ 4 mil.
Agora luta para recuperar o investimento. “Está muito difícil. Não dá retorno”, disse ele que tem um rendimento de R$ 800 por mês. Entre os produtos que vende, estão bebida e fralda, arroz e produtos de limpeza. Tentou vender salgado e verduras. Não deu certo. Com o baixo movimento, os produtos acabavam estragando.
Não bastasse o baixo movimento, Luís Carreiro precisa ainda lidar com a concorrência. A poucos metros de sua venda, está a mercearia de Osmar Cintra, 43. A vendinha foi construída há mais de 60 anos e há seis é administrada por Cintra. “Para ajudar no rendimento da venda, eu planto café. Só o bar não dá”. Abre a venda todos os dias das 7 às 22 horas. Para não perder clientela, vende fiado.
“Anoto tudo no caderno”. Prejuízo sempre tem. Cintra foi assaltado duas vezes. Mesmo com medo, não pretende deixar o negócio.
Outro que vive com medo de assalto é o comerciante Luís Carlos Ricci, 57. Ele mora em uma chácara no Paiolzinho, na região rural de Franca. “Tenho muito medo de assalto. Sempre escuto notícias no rádio de violência na zona rural. Felizmente nunca aconteceu comigo, mas tenho muito medo”. Para se proteger, Ricci arrumou dois cachorros de guarda.
Ricci montou a venda há dez anos para ajudar no sustento da família que também lida com café. Devido ao baixo movimento, Ricci atende aos pedidos de vizinhos para vender fiado. Para não esquecer, anota tudo em um pedaço de embrulho de cigarro. Ele mesmo não esquece. O problema são os fregueses. “Já levei prejuízo de mais de R$ 2 mil”, lamenta.
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