Adrenalina, coragem, diversão e a busca constante por fama e dinheiro. O mundo dos rodeios, que invadem praticamente todas as cidades da região de abril a dezembro, fascina peões e platéia.
Para o público, a diversão fica por conta do rodeio e shows de música sertaneja. Para os peões, que chegam aos montes por aqui, o que importa são os prêmios, títulos e fama. Profissionais renomados (e premiados) estão na região tentando se manter oito segundos em cima do touro - e, claro, ganhar prêmios que vão de carros zero-quilômetro a quantias que chegam R$ 10 mil. Mas há também aqueles mais modestos, em início de carreira, e com uma grande vontade de vencer na vida.
Como em toda profissão, o começo é sempre complicado. O restinguense Fernando Machado, 24, sabe bem disso. Para se sustentar, além das montarias em touros, ele trabalha para uma companhia que organiza rodeios. Como peão, seus ganhos ainda não são os ideais, mas ele acha que está no caminho certo. “Em seis anos montando, ganhei cerca de R$ 20 mil em prêmios. Vou chegar lá”, disse.
Por outro lado, há aqueles peões de sorte que ganham fama logo no início da carreira. Rogério Ferreira dos Santos, 35, de Palestina (SP), é o que pode chamar de “O Cara” (ou pelo menos um deles) no mundo dos rodeios. É um dos primeiros nomes a serem lembrados nas festas de peão e nem precisa se dar ao trabalho de ir atrás de festas. É chamado para as competições. Monta há dez anos e logo no primeiro ano ganhou o torneio de Barretos, o mais disputado do País. Não gosta muito de falar quanto ganhou em dinheiro na competições. “Ah! para não despertar inveja nos outros, pode anotar aí que foram mais de R$ 500 mil”. Inveja? Imagina. A lista de prêmios ainda nem acabou. “Também já ganhei 46 carros, 45 motos e quatro caminhonetes”. Para ele, a aposentadoria está longe. Antes disso, ele sonha em ganhar o mundial nos Estados Unidos e pretende não ficar só na vontade. Em outubro ele se mudará para a América do Norte com a família. “Vou ficar um ano lá treinando e competindo”.
Com oito anos de profissão, Adriano Guedes, 26, de Pereira Barreto, também já desponta nas arenas. Já ganhou em São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais. Segundo ele, tem cerca de cem títulos no currículo que lhe renderam dez motos, três carros e R$ 450 mil em dinheiro. Os prêmios foram revertidos em três casas e 140 cabeças de gado nelore. Com os próximos prêmios pretende comprar uma fazenda.
Durante a temporada de festas, Guedes só vê a mulher os dois filhos durante uma semana por mês. É neste período também que ele aproveita para freqüentar a academia para fortalecer os músculos e treinar em um sítio.
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‘CARREIRINHA’
Quem vê Juraci da Silva, 35, de Buritama (SP), andando entre os peões no Ituverava Rodeio Show, não imagina a fama que ele tem.
Simpático e sempre sorridente, é conhecido no mundo dos rodeios como “Doidinho”. Gosta mesmo é de brincar com a platéia, monta mandando beijos e adora imitar um boi pulando. Tanto carisma chamou atenção da autora de novelas Glória Perez, que criou o personagem Carreirinha (interpretado pelo ator Matheus Nachtergaele) na novela América inspirado nele. Doidinho, que de doido não tem nada, monta há 16 anos. Tanto tempo se equilibrando em cima do lombo do boi lhe rendeu R$ 1 milhão, 12 carros, três motos e uma fivela de ouro e uma jóia em diamante no valor de R$ 50 mil. Para amenizar a saudade de casa, Juraci sempre leva junto a mulher, Andréia Dias, e o filho Kaíque, 8. “No começo foi duro.
Montei pela primeira vez aos 13 anos. Ganhei uma caixa de refrigerante quente e um troféu”, brinca.
Em Ituverava, até a noite de segunda-feira, os principais inimigos de Juraci e dos outros peões são os bois Mister M, Mala Arrumada, Blindado, Festa no Apê, Marcapasso, Transtorno e Cama de Gato.
Hoje haverá show com a dupla Jorge & Matheus e amanhã se apresenta o grupo Inimigos da HP.
Já o rodeio de Restinga, que dará como prêmio R$ 5 mil, termina neste domingo.
FÉ E DECEPÇÃO
Por outro lado, fé é o que não falta aos peões. Antes de entrar na arena são vistos rezando no brete (local onde se preparam para a montaria) e também na abertura da festa quando exaltam a imagem de Nossa Senhora Aparecida. No local, eles também se alongam e terminam de se vestir.
Apesar de toda a competição, o clima em Ituverava entre os peões não é de rivalidade. Brincam e conversam antes do rodeio. Talvez essa seja uma das explicações para que essa turma não consiga se afastar do mundo dos rodeios. Até mesmo quem não conseguiu engrenar na carreira fica por perto. Ronan Felipe, 32, de Barretos, é um bom exemplo disso. Ele trabalha como salva-vidas (profissional que distrai o touro para o peão voltar para o brete depois da queda) há 14 anos. Nem sempre foi assim. Por três anos ele tentou a carreira de peão. “Ah, desisti de montar. Machuquei muito. Quebrei perna e braço e não ganhei tanto dinheiro assim. Mas não consegui ficar longe”. O dinheiro que ganha como salva-vidas nem chega perto do dos peões, mas é considerável. “Em festas pequenas ganho até R$ 2 mil por quatro dias de trabalho. Em rodeios grandes, como o de Barretos, ganho até R$ 7 mil”.
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