<p>Com mais de 9 milhões de CDs vendidos, quatro DVDs e uma média de 16 shows por mês, a dupla Bruno & Marrone é hoje uma das mais famosas do mundo sertanejo. O sucesso não veio à toa. São mais de 20 anos de estrada e muito trabalho.<br /><br />Nesta sexta-feira, 25, os dois amigos aterrissam em Restinga, onde apresentam a nova turnê, com o show Evolução. Por telefone, a caminho de Prata (MG), Vinícius Félix de Miranda, mais conhecido como Bruno, conversou com o Comércio e contou um pouco sobre sua história de vida, sobre a saudade que sente de voltar para casa, sobre o assédio dos fãs e a concorrência entre as duplas no mercado da música sertaneja.<br /><br />Sempre muito simples e educado, Bruno fala ainda de sua intimidade, do relacionamento com os filhos e revela já ter se separado do parceiro no começo da carreira. Confira agora quem é o que penso um dos mais importantes cantores sertanejos do Brasil.</p><p><strong>Comércio da Franca - O que os fãs de vocês podem esperar do show em Restinga na próxima sexta-feira?<br />Bruno</strong> - Muita música, uma superprodução. A gente montou um repertório muito legal. Estamos mais animados. O show está diferente para caramba. O Marrone está dançando no palco, com aquela barriguinha (risos). Podem esperar muita alegria sem dúvida nenhuma. A gente está com saudade de cantar para o público desta região de Franca e de Restinga. <br /></p><p><strong>Comércio - O show da Turnê Evolução vem sendo considerado um dos mais sofisticados do mundo sertanejo. Como surgiu a idéia de unir num mesmo palco a simplicidade do universo sertanejo e a alta tecnologia de imagens holográficas? Como tem sido a reação do público a esta mistura? <br />Bruno</strong> - Foi uma idéia que lançamos no Credicard Hall, em São Paulo, no começo do ano. Tentamos fazer o melhor possível e inovar. O público brasileiro sempre espera coisas boas do Bruno & Marrone e temos que corresponder. Estamos muito felizes com o resultado. O público tem aplaudido bastante a turnê por todos os lugares por onde passamos. <br /></p><p><strong>Comércio - O repertório dos CDs Acústico I e II é cheio de parcerias e músicas que lembram uma tarde no rancho. Sinto vocês extremamente à vontade. Foi mesmo tão divertido fazer esse trabalho?<br />Bruno</strong> - Foi sim. Foi muito legal e nos sentimos muito à vontade mesmo. Esse formato acústico sempre deu muito certo. Nós fomos os precursores deste tipo de som. Estouramos com um CD acústico que vendemos mais de dois milhões de cópias, fomos o primeiro DVD de ouro do Brasil com este formato, ganhamos um grammy. É muito gratificante e muito gostoso fazer um trabalho assim porque acho que é o formato que as pessoas mais gostam. É a melhor fórmula. Quanto mais acústico o som, melhor. Estamos com a intenção de agora só fazer violão e voz. Foi o que deu certo para nós. <br /></p><p><strong>Comércio - Como é tocar na região de Franca, que é o celeiro de duplas como Gian & Giovani e Rionegro & Solimões? <br />Bruno</strong> - Franca foi uma das primeiras cidades do Estado de São Paulo que nos recebeu e nos acolheu, antes mesmo de Ribeirão Preto. Fomos muito bem recebidos aí. Sobrevivemos um bom tempo tocando nesta região que é maravilhosa, que adora música sertaneja. Eu me lembro bem desse começo. Na época, a gente fazia muito sucesso no Triângulo Mineiro e as rádios de Uberaba pegavam em Franca, o que, de certa forma, facilitou nosso acesso à região. É muito legal estar voltando. Espero que o pessoal compareça ao show para a gente matar a saudade cantando antigos sucessos e os novos também. <br /></p><p><strong>Comércio - Vocês hoje, com certeza, são uma das duplas sertanejas mais badaladas. Como é a rotina de vocês? Quantos shows fazem por mês? <br />Bruno</strong> - A gente faz uma média de 16 shows por mês, mas tem mês que chegamos a fazer 20. É muito difícil, muito estressante. Viajamos toda hora, estamos sempre em hotéis, em carros, aviões, mas é muito gratificante também. Eu amo trabalhar, amo cantar. Eu gosto do que eu faço e não seria outra coisa na vida. Minha vida é ser cantor. Essa profissão a gente tem que amar porque realmente é muito sacrificante. A estrada é uma escola muito grande, a gente está o tempo todo aprendendo, evoluindo com outras pessoas. Eu amo tudo isso. <br /></p><p><strong>Comércio - Onde você busca energia para enfrentar essa rotina?<br />Bruno</strong> - É a energia que os fãs devolvem para a gente. A gente dá para o público e ele retribui em forma de carinho e de oração. E claro, tem a presença de Deus, o exercício do bem e da caridade. Isso nos dá força para continuar. <br /><br /><strong>Comércio - Acho a vida de vocês muito parecida com a dos políticos em constante campanha eleitoral. Estão sempre disponíveis, têm sempre que ser agradáveis com o público, a imprensa etc. Como você lida com o assédio? E como faz quando quer ficar sozinho?<br />Bruno</strong> - Na verdade, quando a gente não está querendo falar com alguém, tem que ficar em casa, isolado. Pois a partir do momento que sai para qualquer lugar, tenho que estar disponível mesmo. Claro que não é sempre que tenho prazer em atender. Mas peço muito a Deus que me ajude a respeitar as pessoas, a não maltratar ninguém. Não é do nosso feitio, da nossa índole fazer isso, mas, às vezes, o nervosismo, a forma como as pessoas chegam, irritam e podem fazer com que a gente cometa alguma besteira. Graças a Deus, comigo e com o Marrone isso nunca aconteceu. Mesmo porque, para mim, é uma questão de educação, de berço. Nossos pais nos ensinaram que temos que respeitar as pessoas e Deus sempre abençoou nossas carreiras. <br /></p><p><strong>Comércio - E o assédio das mulheres...<br />Bruno</strong> - (risos) Ah, é normal. Tem mulher de tudo o que é jeito. Tem aquelas que querem namorar, outras que gostam apenas das nossas músicas. Você tem que ver quem é quem e tentar tratar todo mundo da melhor maneira possível.<br /></p><p><strong>Comércio - Você acabou de ser pai de um casal de gêmeos (já tinha o Vinicius, de 9 anos). É possível conciliar a família com essa rotina estressante de artista?<br />Bruno</strong> - Hoje em dia é possível sim. Antigamente era mais difícil. Hoje eu tenho um aviãozinho pequeno, então, quando termina o show, eu posso ir embora, dormir em casa. Tem também o celular, o rádio. A comunicação é muito mais fácil. Além disso, eu sou acostumado com esse negócio de saudade, eu sei administrar isso bem. Acho que o amor supera todas essas coisas negativas. Para amar uma pessoa, você não precisa ficar grudado. Os poucos momentos que você vive com essa pessoa têm que ter qualidade. Eu fico pouco com os meus filhos, mas, no tempo que fico, tento ensinar para eles coisas boas, dando exemplos positivos. <br /></p><p><strong>Comércio - Apesar de terem mais de 20 anos de carreira, o sucesso chegou de verdade há sete anos, com a música Dormi na Praça. Como foi se tornar famoso? Quando tomou consciência de que era realmente conhecido? <br />Bruno</strong> - Foi muito gradativo. As coisas foram acontecendo bem devagar na nossa carreira porque fomos conquistando espaço através dos CDs. Nós já estávamos fazendo uma média de 16 shows quando “Dormi na Praça” estourou. Começamos a ver 30, 40 mil pessoas em nossos shows, a bater recordes de público em feiras. Mas, sinceramente, nem acho que isso seja tão importante. O difícil mesmo, e é aí que entra Deus, é manter esse sucesso. Acho que essa estrutura que tivemos, essa base fortalecida nos ajudou a ter uma carreira sólida.<br /></p><p><strong>Comércio - O sucesso, então, veio na hora certa...<br />Bruno</strong> - Sim. Sucesso é uma coisa de Deus. Para mim, nada mais é do que merecimento. Eu não conheço ninguém que faça sucesso e permaneça fazendo sem trabalhar. A fórmula do sucesso chama-se trabalho. <br /></p><p><strong>Comércio - Nesta trajetória, tem algo que se arrepende de ter feito ou que faria diferente?<br />Bruno</strong> - Não faria nada diferente. Não mudaria nada na nossa história, nada no escritório, nada com o Marrone. E se pudesse, faria tudo exatamente da mesma forma. Quero continuar sendo a pessoa que sou hoje<br /></p><p><strong>Comércio - O que mais gosta nesta vida de estrada e fama? E o que, se poderia, eliminaria?<br />Bruno</strong> - Gosto de tudo. Gosto de viajar, gosto de cantar, de compor, de gravar. Adoro tudo. Não estou sendo demagogo, estou sendo verdadeiro. E acho que é por isso que fazemos sucesso. Porque existe energia verdadeira no que a gente faz. Não tem nada que eu eliminaria. Eu sou apaixonado pelo meu trabalho e tem que ser assim.<br /></p><p><strong>Comércio - Em Franca, em apenas um fã-clube, vocês reúnem mais de 500 pessoas. Como explica essa adoração?<br />Bruno</strong> - Graças a Deus, Ele abençoou nossa carreira. É muito gratificante porque a gente trabalha com amor e só sabemos fazer isso, então, graças a Deus que o público tem permanecido nos nossos shows e superlotado os locais onde nos apresentamos. É bom demais isso. <br /></p><p><strong>Comércio - Há alguns anos, alguns críticos diziam que o sertanejo (como os grupos de pagode) estava condenado a sumir da mídia. Hoje o que vimos é a chegada de uma nova safra de talentos como Vitor & Leo, Cesar Menotti & Fabiano, Jorge & Mateus. Como você avalia esse novos talentos e o futuro do sertanejo?<br />Bruno</strong> - Vejo com bons olhos. Acho ótimo a música se renovar. Adoro ver pessoas de talento surgindo, trabalhando. São concorrentes meus, claro, mas eu acho que tem espaço para todo mundo. Essa concorrência faz com que trabalhe mais, me sacrifique mais pela música para continuar tendo meu espaço. Essa concorrência é boa porque faz a gente se movimentar, trabalhar com mais ânimo. <br /></p><p><strong>Comércio - E a rivalidade entre as duplas?<br />Bruno</strong> - O que existe, na verdade, é rivalidade de mercado. Quando a gente está na mesma cidade, no mesmo evento, é natural que tenha concorrência, que tenha comparação de público. Tentamos, ao máximo, não nos confrontar com os outros. Mas estou numa fase em que o importante é permanecer fazendo sucesso, que é o mais difícil. Vitor & Léo hoje é uma novidade, como César Menotti & Fabiano foi no ano passado. Nós não. Estamos aí fazendo sucesso desde 1999. São nove anos de história. Graças a Deus, hoje temos nosso espaço no mercado e eles têm que provar muita coisa. Estamos numa situação privilegiada.<br /></p><p><strong>Comércio - Você e Marrone estão juntos há muitos anos. Conviver todos os dias não deve ser fácil. Já pensaram em desmanchar a parceira?<br />Bruno</strong> - (pensa) Chegamos a nos separar uma vez. No comecinho da nossa carreira, antes de gravar, quando cantávamos nos botecos. O Marrone era teimoso demais. Aí, eu dei uma separadinha dele para ele ver o tanto que era difícil sem mim, para ele sentir minha falta. Aí, ele melhorou um pouquinho, eu também melhorei. Dei mais valor a ele, ele deu mais valor a mim. Foi boa aquela separação momentânea.<br /></p><p><strong>Comércio - E hoje vocês vivem um casamento...<br />Bruno</strong> - (risos) É verdade, é um casamento sem sexo. <br /></p><p><strong>Comércio - Quais são seus planos futuros? O que ainda quer conquistar?<br />Bruno</strong> - Quero ainda gravar em outras línguas, fazer mais shows no exterior e, claro, com a ajuda de Deus, continuar nossa trajetória de sucesso, continuar nos renovando. O interessante vai ser isso, tentar superar nossos limites através da música.<br /></p>
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