Cães à solta


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Cachorro sem dono, velho conhecido dos vizinhos, descansa no meio da Rua Hélio Antônio Oliveira, no Bairro City Petrópolis
Cachorro sem dono, velho conhecido dos vizinhos, descansa no meio da Rua Hélio Antônio Oliveira, no Bairro City Petrópolis
Nos próximos dias, quem circular pela cidade deverá perceber mais cachorros e gatos perambulando pelas ruas. Desde a tarde da última quinta-feira, a Prefeitura suspendeu os serviços da carrocinha. A medida foi tomada após o governador José Serra (PSDB) sancionar a lei que proíbe o sacrifício de animais errantes capturados pelo município. Não há previsão para retorno das recolhas. Na periferia, o problema é mais evidente. Em bairros como Parque Vicente Leporace, Jardim Aeroporto, City Petrópolis e Jardim Paineiras, a presença de cães nas ruas é mais comum. Ontem, em cinco minutos, o Comércio encontrou três cachorros de médio e pequeno portes soltos pela Rua Hélio Antônio Oliveira, no City Petrópolis. Uma das vizinhas, a sapateira Alexandra Santos, 27, está preocupada com a suspensão das capturas dos bichos na cidade. “Aqui no bairro tem uma cachorrada. Com a carrocinha já é assim, agora imagina sem? Não vamos suportar”. No Jardim Paineiras, cenas parecidas e a mesma preocupação. Num único quarteirão, foram localizados cinco cachorros andando pelas ruas e calçadas. “Nem tenho cachorro em casa e minha calçada fica cheia de b.... Fora os lixos que eles rasgam e motoqueiros que perseguem. É um perigo”, disse Flávia Faleiros, 23. Fernando Baldochi, chefe de Vigilância em Saúde, disse que o serviço permanecerá suspenso, sem data para ser reativado. “É lei. Somos os órgãos executores e temos de cumpri-la. O canil não comporta 200 animais capturados todos os meses. A preocupação é com a questão da raiva humana porque a captura, eutanásia e estudos são para controlar a doença”. Só serão capturados bichos agressores e de grande porte, como vacas e cavalos soltos em vias públicas. O Canil Municipal também não receberá animais. Para Baldochi, a alternativa seria implantar medidas de esterilização e castração dos animais, mas as propostas feitas ao município ainda não foram aceitas. “O custo oferecido à Prefeitura pelas entidades que cuidam de animais em Franca não é viável. As parcerias ainda não puderam ser acertadas. O sistema atual (de captura e sacrifício) é mais barato”, disse, sem citar valores. Em 2007, foram sacrificados mais de 2.100 cachorros e gatos em Franca. Autor do projeto, o deputado estadual Feliciano Filho (PV), de Campinas, disse que não há motivos para preocupação, uma vez que a lei já prevê parcerias entre Estado e Prefeituras. “A população precisa aplaudir a aprovação da lei. É uma questão de saúde pública e respeito ao dinheiro público. Se o governo for sério, ele vai providenciar a esterilização e identificação dos animais do município”, disse. [FOTO2] A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde informou que a lei ainda não foi regulamentada e, até que isso seja feito, as parcerias entre governo e prefeituras não serão firmadas. Não foram apresentados prazos. APROVADO Entidades e ONGs que lidam com animais são favoráveis à lei que proíbe a eutanásia e dizem que o próximo passo é trabalhar a posse-responsável e incentivar a esterilização e castração para evitar a procriação dos bichos (leia mais nesta página).

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