MST da região promete novas invasões de terra em 2008


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Depois de organizar um manifesto e parar por três horas a Rodovia Cândido Portinari, os militantes do MST (Movimento dos Sem-Terra), enraizado no assentamento da Fazenda Boa Sorte, em Restinga, promete novas invasões para este ano. Segundo o líder do movimento, Nédito Silva, o grupo fez um levantamento de propriedades ociosas e com problemas na Justiça em oito municípios da região. Ele não revela quantas são e onde estão, mas admite que estão na mira do MST e que as ocupações não devem demorar. O próximo passo será recrutar famílias interessadas em participar do movimento. “Vamos percorrer os bairros de Franca e cidades da região atrás de famílias interessadas em se juntar ao movimento. Por enquanto não podemos revelar nada”, avisa. E os planos não param por aí. Nédito Silva afirma que o grupo trabalha na organização de um manifesto que deverá ser realizado ainda neste mês durante o que eles chamam de Abril Vermelho para lembrar a morte dos 19 sem-terra que entraram em confronto com a polícia em Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996. Em todo o País, foram realizadas 50 manifestações em 14 Estados neste mês. Bem mais quieto está o MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). Depois de invadir quase dez propriedades em 2006 e uma em Cristais Paulista no ano passado, o grupo entrou em 2008 mais tranqüilo. Invasão de terras não está nos planos do grupo. “Neste ano, estamos com todas as atenções voltadas para o assentamento Santos Dias, em Ribeirão Preto. Estamos na fase de organizar as famílias que ganharão terra”, disse Vilmar Silva, líder do MLST. No assentamento, estão 160 famílias. Destas, 20 são de Franca e duas de Cristais Paulista. O MLST aguarda a resposta do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para desapropriação para a reforma agrária de duas fazendas na região, sendo uma em Cristais e outra em Pedregulho. “São fazendas com problemas na Justiça. Vamos ver o que vai acontecer”, diz Silva. RELATÓRIO Os dois movimentos aparecem no relatório divulgado nesta semana pela Comissão Pastoral da Terra, com sede em Goiânia (GO), sobre o levantamento feito em todo o País a respeito das invasões de terras. No ano passado, o MST invadiu a Fazenda Batatais, antiga área da Febem. Hoje o grupo está acampado em Orlândia. O MLST ocupou o sítio São José em Cristais Paulista. Em todo o País, foram registradas 770 ocupações envolvendo mais de 94 mil famílias. Em São Paulo, foram invadidas 75 propriedades. O estado campeão de ocupações é o Pará, com 105.

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