O coração parece que está na boca. Bate com muita intensidade. As pernas tremem. A ansiedade aumenta. Medo, pressa e prazer disputam o mesmo lençol. Quando menos se imagina, já foi. E a companheira fica só na vontade. Isso é o que ocorre com homens que têm ejaculação precoce, ou seja, chegam ao orgasmo rapidamente, muitas vezes com menos de cinco minutos de transa.
O problema começa a se manifestar cedo, principalmente na adolescência. A causa é, na maioria das vezes, emocional. Falta de experiência sexual, medo do mau desempenho e inibição diante da parceira são alguns dos motivos que podem criar um estado de ansiedade intensa que leva a uma ejaculação rápida. Há também razões fisiológicas, quando há descontrole no orgasmo.
Pode parecer que não por falta de testemunhos - geralmente os homens não admitem -, mas esta disfunção sexual é mais comum do que se imagina. Como tudo é novo para os jovens, eles ficam nervosos e apreensivos, o que leva a uma relação curta e rápida. A psicóloga Renata Salomão diz que o primeiro passo é que o garoto não se iniba e exponha o problema a alguém de confiança. “Há uma expectativa muito grande por parte do homem de ‘mandar bem’, principalmente se for a primeira experiência. O que, nem sempre, acontece. Por isso a importância do diálogo”, disse.
A primeira experiência sexual de Júlio*, 20, seria perfeita se a ansiedade não tivesse atrapalhado o clima romântico criado por ele com a namorada. “Ela não sabia que eu era virgem, então, procurei ser o mais natural possível, por mais nervoso que estivesse. Fiquei ‘alegre’ com as carícias e em menos de quatro minutos gozei. Foi muito estranho”, afirmou.
Ele ainda tentou consertar o acidente, mas não teve jeito. “Como meus amigos nunca me contaram sobre eles, achei que era anormal. Fiquei pedindo desculpas para ela a noite toda. Que mico”, lamentou-se.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 30% dos homens de todo o mundo sofrem de ejaculação precoce. E pelo menos 70% já deixaram as parceiras na vontade em alguma fase da vida. Não são somente os jovens que “comem cru” na hora do sexo. A doença pode aparecer também na vida adulta, como reflexo de outro problemas, como contratempos no trabalho, dificuldades financeiras, entre outros motivos.
Mas, calma. Trocadilhos à parte, não se apresse também na hora de chegar a qualquer conclusão. A ejaculação precoce tem tratamento. Como a principal causa é emocional, o tratamento mais recomendado é o terapêutico. Desabafar com a psicóloga ou psiquiatra pode ajudar. Além disso, existem medicamentos tranqüilizantes que auxiliam a diminuir a hipersensibilidade peniana.
“Estes remédios podem ser tomados somente com prescrição médica e por pessoas acima de 25 anos, quando já ocorreu o amadurecimento sexual. Quem tem a doença, precisa contar com a compreensão da parceira e se tratar para ficar livre dela”, explicou o urologista Mauro Cervi. (saiba mais arespeito no quadro nesta página)
Com ejaculação precoce desde os 20 anos, Felipe*, hoje com 45, só foi procurar ajuda médica e seguir o tratamento há três anos, depois de reclamações da mulher por falta de prazer. “Sempre tive vergonha de procurar um especialista. Achava que não fosse normal. Como minha mulher reclamava constantemente, decidi buscar auxílio”, disse. “Logo na primeira relação de tratamento notei a melhora”, disse.
* Nomes fictícios
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