Quatro casos de dengue foram confirmados ontem pela Vigilância Epidemiológica de Franca. Os pacientes contraíram a doença na cidade - os chamados casos autóctones - e, coincidentemente, moram no mesmo bairro: o Parque Continental. Com o resultado, subiu para 17 o número de casos de dengue em Franca neste ano.
Dados da Vigilância Epidemiológica mostram que, dos 17 casos, seis são importados, ou seja, a pessoa viajou para outra cidade e lá foi picada pelo mosquito Aedes aegypti. Outros 11 são autóctones, originados nos bairros Parque Continental, São Sebastião, Centro e Jardim Luiza. A vigilância não informou o local de ocorrência de três casos.
A maior incidência de dengue está no Parque Continental, que sozinho responde por cinco casos. O bairro tem apenas cinco ruas, a maioria das pessoas se conhece e chega a indicar o local onde há possíveis focos do mosquito. Um terreno, na Rua Caxambu, está tomado por lixo doméstico e industrial. Em meio ao lixo, três pneus - um de bicicleta e dois de carro - acumulam água.
Na mesma rua, uma água verde está parada próxima à sarjeta. “Essa água tem um cheiro ruim, atrai pernilongos. À noite, a situação piora”, disse a sapateira Rita de Cássia Lopes. Ela diz estar preocupada com os filhos (17, 9, 7 e 5 anos). “Eu cuido da minha casa para que eles fiquem bem, mas na rua...”, disse.
Evangelina de Paula, diretora de sindicato, sabe bem o drama que é contrair dengue. No dia 14 de março, ela levantou sentindo dores nas costas e quando movimentava o pescoço. No dia seguinte, teve dores de cabeça, vômito e diarréia. “Fui ao médico no primeiro dia, mas ainda não dava para saber que era dengue. No dia seguinte, aí, sim, com todos os sintomas, o médico pediu exames de sangue e urina. Deram positivo”, conta.
Ela ficou oito dias de repouso. “As dores são horríveis. Pensei que morreria. Fiquei pensando se meus filhos sentissem aquilo”. Ao se recuperar, Evangelina escreveu uma carta detalhando os sintomas, os cuidados quanto a medicamentos e como evitar a dengue. Depois distribuiu para a família e amigos.
Fernando Baldochi, diretor da Vigilância em Saúde, disse que nas áreas com maior incidência de suspeitas e casos confirmados, a vigilância realiza um bloqueio para evitar a proliferação da doença. E isso já aconteceu no Parque Continental. “Desde que realizamos esse bloqueio no bairro, não surgiram novos casos”, disse.
O cortador de calçados Florenço André Feliciano confirmou o bloqueio no bairro e disse que a Prefeitura chegou a limpar o terreno da Rua Caxambu, mas, uma semana depois, já havia lixo no local. “Falta conscientização das pessoas”.
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