Parentes dos mais de mil presos do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão Preto estão desesperados com a falta de notícias. Somente em Franca, há cem famílias nesta situação. Elas aguardam informações dos presos da cidade que estão recolhidos naquele presídio. Na última sexta-feira, os detentos se rebelaram. Dois morreram - sendo um francano - e 25 ficaram feridos.
A falta de informações tem deixado os familiares e amigos em estado de pânico. A dona de casa Aparecida Donizete Santana, 51, é mãe de um detento do CDP. Seu filho é acusado de tráfico de drogas. “Eu não tenho informação de nada. Nem a advogada dele consegue saber o que está acontecendo. Tudo bem que eles são bandidos, mas antes são seres humanos. Me falaram que ele estava até morto. Depois, que estava ferido”, disse a mulher.
O volume de presos francanos em Ribeirão aumentou no mês passado, quando perto de cem deles foram transferidos para o CDP. A transferência aconteceu após a rebelião no Guanabara, que danificou três celas e deixou o presídio sem condições de manter a população carcerária.
Nem a Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ribeirão Preto conseguiu acesso às celas. Dois advogados chegaram apenas até o portão principal do pátio, mas não foram autorizados a conversar com os presos. Novas tentativas de se obter informações dos detentos continuam sendo feitas pela comissão.
A rebelião, que durou dez horas, deixou o presídio com problemas estruturais. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, dois pavilhões foram destruídos.
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