“Não é o aluno deficiente que tem que se adaptar para estudar na escola regular. É a escola e os professores que têm que estar preparados para receber essas crianças”. A frase da secretária de Educação de Três Corações (MG), Maria Terezinha dos Santos, que ministrou palestra no seminário sobre inclusão social em Franca nesta semana, mostra bem as diretrizes buscadas pelo MEC (Ministério da Educação) em relação à educação de deficientes.
Desde o ano 2000, a inclusão dessas crianças passou a ocorrer de forma mais efetiva e, neste ano, mais de 500 deficientes são atendidos em cerca de 40 escolas públicas de Franca e região.
Instalação de rampas e corrimãos especiais, bem como a construção e readequação de banheiros, são obras cada vez mais comuns nas escolas locais. Mas ainda há muito o que fazer em relação ao tema e capacitação de professores desponta entre as prioridades.
Para a secretária de Educação de Franca, Leila Haddad, os professores precisam de cursos de capacitação para receber essas crianças. “Em Franca, temos alguns professores que deram problemas e agora estão sendo reabilitados. Precisamos ter bons profissionais para atender à demanda”.
A Escola Municipal “Mário José Faleiros”, no Aeroporto II, fez a lição de casa. Quinze alunos com deficiência física, com idades entre 7 e 10 anos, estudam na escola. A diretora Francisca de Assis dos Santos se orgulha em enumerar todas as adaptações feitas para receber os alunos especiais. “Os nossos professores também participam de cursos de capacitação oferecidos pelo Ministério da Educação”.
Foi nestes cursos que a professora Elaine Muniz, que leciona para a 4ª série, aprendeu a respeitar e a compreender os limites dessas crianças. Na sala dela estuda Joabie Felipe Gouveia, 9. Ele usa cadeira de rodas e tem paralisia cerebral. “Quando fiquei sabendo que eu teria uma criança especial na minha sala, tive muito medo.
Não tinha a menor idéia de como trabalhar com ela. O curso de capacitação me ajudou muito e, além disso, percebi que o Joabie é muito capaz. Na primeira atividade, os alunos tinham que cortar figuras. Ele disse que conseguia fazer sozinho. Hoje sei como lidar com ele. O Joabie participa de todas as atividades”. Todo esse cuidado deu tranqüilidade a Ivany Gouveia, mãe de Joabie. “Não fico com receio em deixá-lo na escola”.
Mesmo com dificuldades de aprendizado, o menino já sabe ler e escrever. Durante a leitura, os colegas de Joabie têm paciência de esperar a vez dele ler. Na hora do intervalo, sempre tem um colega que ajuda o garoto a passear pelos corredores da escola. “As crianças são as que menos têm preconceito com os alunos especiais. Elas recebem muito bem e estão sempre dispostas a ajudar”, disse a pedagoga Lidiane Araújo.
A pedagoga afirma que o aprendizado destas crianças é mais lento e o limite precisa ser respeitado. “Em razão dessa dificuldade, elas não fazem provas nem trabalhos. A avaliação é feita durante a aula”, completou.
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