Oração a Palermo


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Tenho a honrada missão de saudar o nosso querido, admirado e emérito professor, Dr. Alfredo Palermo, em nome da FDF, que muito lhe deve. Comungamos com o Dr. Palermo da mesma teleologia pedagógica, que fez de sua vida valoroso agente construtor de homens. Ele soube dar à sua vida grande sentido: viver para conhecer, conhecer para participar, participar para aperfeiçoar, aperfeiçoar para amar e amar para transformar o mundo e as pessoas, colaborando eficientemente com o eterno renascer da humanidade. Ao amigo, advogado, jurista, jornalista, escritor, poeta e sobretudo educador, figura polivalente da cultura francana, nosso eterno reconhecimento, nossa imensa e imorredoura saudade de suas aulas, quer no Instituto Estadual de Educação “Torquato Caleiro”, quer nos cursos de graduação e recentemente na pós-graduação, onde nos acolheu carinhosamente. Tudo passa nesta vida. Só a arte, a ciência e a sabedoria conhecem a eternidade e o nosso mestre de ontem, de hoje e de sempre, certamente conhecerá, também, a eternidade. Valores universais e eternos, como a responsabilidade, a dignidade, a cidadania, a honra e principalmente a justiça, estão e sempre estiveram presentes na vida de nosso benquisto homenageado. Os pedagogos e os cultores da Filosofia do Direito sabem que a metodologia mais indicada para a prática dos valores positivos não se resume apenas à transmissão de informações axiológicas para serem memorizadas, mas fundamentalmente, na vivência constante e diuturna deles. Saber o que é a justiça, causa final da ordem jurídica, a maior de todas as virtudes nas palavras de Platão, não basta para nos tornarmos justos. É necessário, além de conhecê-la, praticá-la, assim como o fez o Dr. Palermo. O grande Padre Vieira, em seu Sermão da Sexagésima, indagou: “Por que os pregadores do nosso tempo não produzem frutos?” E ele mesmo respondeu: “É porque pregam apenas para os ouvidos, e não para os olhos. Pregam com a palavra, mas não com exemplos. Pregar para os olhos é pregar com exemplos”. O Dr. Palermo pregou sempre e principalmente, para nossos olhos e esse é um dos motivos mais relevantes de seu prestígio e de sua autoridade moral e intelectual. Quando algum historiador de nossa terra se aventurar a escrever com imparcialidade, espírito crítico e científico a história da educação de Franca, certamente ressaltará o Dr. Palermo. Segundo Lacordaire, “três elementos reunidos são capazes de fazer feliz uma pessoa: Deus, um amigo e um livro”. Eu acrescentaria, para completar essa trilogia, uma noite fraterna como esta (NR – Vicente falava na ocasião em que Alfredo Palermo recebia o primeiro título de professor emérito da FDF, em 50 anos), que celebra a alegria do dever cumprido de um homem e de uma instituição. Gostaríamos que o Dr. Palermo levasse de todos nós, que ainda militamos no ensino jurídico, oferendas de ordem espiritual, indispensáveis para enfrentar as batalhas que ainda virão em sua vida de grande guerreiro: nosso sorriso que será doravante cartão de visita nos reencontros de nossas vidas; nosso diálogo franco, que servirá de ponte para ligar nossas vidas de educadores à vossa vida no aconchego do lar e nas atividades culturais que lhe são próprias; nossa alegria, que representará o perfume gratificante, fruto do dever bem cumprido; nossa paz de consciência, que será o vosso melhor travesseiro para o sono tranqüilo e sereno nas horas de descanso; nossa fé, que servirá de bússola para a nova caminhada que ora se inicia; nosso amor, que será a melhor música na partitura de vossa vida coroada de pleno êxito. Estas oferendas, caro mestre, justificam-se plenamente, porque um dia tivemos a felicidade de conhecê-lo e de admirá-lo. Vicente de Paula Silveira Professor titular da FDF, assessor da Unifran, mestre em Direito Público e advogado

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