Sexta-feira da semana passada, 15 horas. O comerciante Milton Luiz Coelho, 61 anos, casado, tem filhos e netos, estava só, em seu bar, localizado na Rua Coronel Tamarindo, no Bairro Estação, em Franca. Ligou a televisão para assistir a um programa qualquer enquanto aguardava a chegada de fregueses. Puxou uma cadeira, sentou-se, esticou as pernas. Segundos depois, um susto. Policiais militares fortemente armados, acompanhados de um Promotor de Justiça, invadiram o estabelecimento. Por muito pouco o comerciante, que tem problemas de saúde, não cai da cadeira.
Milton trabalha no comércio da cidade faz mais de 45 anos. Foi garçom, proprietário de bares, lanchonetes e restaurantes, um deles tradicional, na Praça Barão, centro de Franca e nunca se viu envolvido com a Polícia. Com as vistas turvas e a boca seca, Milton conta que se levantou com muito custo, buscando se apoiar numa mesa próxima. Estava trêmulo, julgando a princípio – vendo apenas as armas – que estava sendo assaltado, até ser informado pelo oficial que comandava a operação – identificou-se como tenente – que se tratava de um arrastão de combate às máquinas caça-níqueis e ao jogo de azar na cidade. O comerciante pediu licença aos policiais e ao promotor para tomar um pouco de água para se recuperar do susto.
Naquela altura a rua já estava cheia de curiosos querendo saber o que tinha ocorrido. Mantinham-se à distância, observando a movimentação dos policiais e tentando descobrir as razões de todo aquele aparato. Indiferentes, os PMs, comandados por oficial e promotor, vasculhavam o bar à procura de provas da existência de jogo de azar no local. Nada foi encontrado no interior do estabelecimento que pudesse incriminar o comerciante.
Abusando da autoridade, o comandante dessa operação não se deu por satisfeito e por incrível que possa parecer, perguntou ao comerciante se ele não tinha as chaves para abrir uma casa vizinha ao bar. Milton explicou que se tratava de residência particular, não pertencia a ele, e a proprietária, Ana Rita Maranha, funcionária pública estadual, estava trabalhando. Os policiais insistiram, mas acabaram entendendo que essa atitude não era correta e deixaram o local. Abatido, com pressão alta e diabetes descompensada, restou ao comerciante fechar o bar mais cedo e buscar atendimento médico.
Não questiono os méritos dessa operação policial, mas sim a forma como ela foi conduzida. Qual a razão de tanta truculência para abordar um comerciante inofensivo, que paga em dia seus impostos? Por que tanto abuso de poder? Precisariam os policiais de armas de grosso calibre para invadir um bar e amedrontar um comerciante pacato? A Polícia é treinada para agir com firmeza, mas também com cordialidade, principalmente nesses casos.
Nos últimos tempos, ao cidadão que tenta viver honestamente neste País só resta uma triste constatação: o Brasil, definitivamente, não deu certo, melhor mesmo seria devolvê-lo aos índios com um pedido formal de desculpas pelo malfeito.
VAMOS TIRAR O SOFÁ?
Curiosa é a atitude das autoridades de responsabilizar as operadoras de celular pelo uso do aparelho nos presídios O governo exige que as operadoras instalem bloqueadores. Ora, se quiserem bloqueadores, as autoridades que os comprem, façam uma licitação e paguem por isso. Não há como responsabilizar as operadoras pelo mau uso de seus equipamentos. Seria mais ou menos como responsabilizar o fabricante do automóvel pelo alto índice de atropelamentos nas ruas brasileiras ou as fábricas de sofás pelo índice ainda maior de cornos existentes na população em geral.
ÚLTIMOS DIAS
Ainda há tempo para ver a exposição Arte/Reflexão do artista plástico Hélio Tasso, consagrado em Franca por uma carreira de meio século entre tintas e pincéis. O pintor apresenta 35 telas que dão noção de seu estilo eclético, sob a forma de retratos, naturezas-mortas e paisagens. A Sociedade Beneficente Irmãos Italianos Unidos fica na Rua Voluntários da Franca, 1361 - Centro. A exposição de Hélio Tasso está aberta à visitação pública nesta quinta e sexta-feira das 8 às 20 horas e, sábado e domingo, últimos dois dias, das 9 às 12 horas.
NEGATIVO
Atenção. Todas as vezes que algum motorista se envolver em acidente de trânsito, cuja outra parte seja um motoqueiro, é bom que faça um BO (boletim de ocorrência) independente de ser culpado ou não. Têm ocorrido fatos em Franca em que o motoqueiro é o culpado, tenta fazer um acordo no local, diz que está bem e não quer socorro médico. Só depois, ele vai a um distrito policial, registra o BO, alega que o veículo fugiu do local sem prestar socorro, cobrando, depois, na justiça, dias parados, conserto da moto e etc... Na maioria dos casos, as testemunhas do motoqueiro são outros motoqueiros.
POSITIVO
Demorou, mas a diretoria da Francana resolveu demitir Wantuil Rodrigues e contratar o experiente treinador Walter Zaparolli. A Veterana joga amanhã contra o Oeste uma partida de seis pontos. Só a vitória interessa, do contrário a desclassificação é iminente. Vamos torcer por uma vitória, faltam apenas três jogos e a Veterana não está mais no grupo dos oito.
CADEIA DO GUANABARA:
– Por que você está aqui?
– Concorrência comercial. O governo e eu fabricamos notas iguais.
EDWARD DE SOUZA é jornalista e radialista.
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