Cesta básica sobe 30% e absorve quase metade do salário mínimo


| Tempo de leitura: 3 min
Lenícia Mariana dos Reis observa preço do feijão no supermercado: alternativa é trocar prato típico por cereais similares
Lenícia Mariana dos Reis observa preço do feijão no supermercado: alternativa é trocar prato típico por cereais similares
Quem está acostumado a fazer compras em supermercados já não se surpreende: o preço dos alimentos não pára de subir. A novidade é o tamanho deste aumento. De acordo com pesquisa realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), em um período de 12 meses, os produtos da cesta básica tiveram um aumento de 30,78%, fazendo com que a cesta absorva quase metade do novo salário mínimo, de R$ 415. O aumento constatado nos estabelecimentos comerciais de Franca é quase o dobro do da cidade de São Paulo, onde a cesta básica subiu 14%. A pesquisa do Ipes mostra que em abril do ano passado, a cesta, que contém 13 produtos básicos, era adquirida por R$ 144,14. Já em março deste ano, os mesmos produtos custavam R$ 188,51. Os motivos, de acordo com o economista e organizador da pesquisa, Hélio Braga Filho, são uma possível baixa nos estoques em Franca e até mesmo uma maior demanda por comida, sentida não apenas no Brasil. “Curiosamente, no mês de março nós captamos um aumento muito maior do que o registrado em São Paulo. Muito provavelmente a possibilidade de haver estoques anteriores pode ter segurado o repasse de preços (que teria ocorrido em março). O preço das commodities internacionais também pode interferir, já que a demanda por comida é maior, não só no Brasil como em todo o mundo”, disse. Esta variação foi percebida facilmente pela dona de casa Lenícia Mariana dos Reis, 42, que tem na ponta da língua o produto que se tornou o grande vilão das donas de casa: o feijão. E não é para menos. O preço de 4,5 quilos do produto em abril de 2007 era de R$ 7,92. Já no mês passado, o valor dos mesmos 4,5 quilos quase quadruplicou, chegando a R$ 28,09. O preço alto fez com que Lenícia usasse a criatividade para não perder a qualidade da refeição. “Eu procuro um alimento alternativo. Duas vezes por semana a gente está comendo lentilha no lugar no feijão”. Lenícia, que mora com o marido, dois filhos e a mãe e tem uma renda familiar de R$ 680, diz que a economia não se resume ao feijão. “Mesmo a carne, que subiu bastante, a gente encontra um meio de fazer com que ela renda mais um pouquinho. Às vezes a gente comprava três, quatro quilos de carne. Hoje a gente pode comprar dois, dois e meio. Tem que colocar algum outro preparo.” Para tentar fazer as acrobacias necessárias para driblar a alta dos preços, Lenícia tem um companheiro bastante inusitado. “Sempre vejo os programas (de receitas) na televisão que mostram como a gente pode substituir os produtos”. MÍNIMO MAIS FRACO O aumento de preços fez com que a comemoração do aumento do salário mínimo, que a partir do dia 1º de março passou a valer R$ 415, terminasse logo. O motivo é que o ganho conquistado foi “comido” pela alta dos alimentos em Franca. Em abril do ano passado a cesta básica representava 37,93% do salário, que na época era de R$ 380. Hoje, ela já representa 45,42%. O poder aquisitivo, no entanto, tende a diminuir, complicando ainda mais a vida dos 1.590 trabalhadores registrados que vivem com o salário mínimo (ou menos) em Franca, segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho. “Daqui pra frente, há uma tendência de corrosão maior. Gradualmente, o que se vai perceber é que o salário mínimo só vai aumentar daqui a um ano e os preços são corrigidos automaticamente, o que compromete o salário dos trabalhadores, principalmente os de renda média baixa”, completa Hélio Braga.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários