Falso médico tenta vaga na S. Casa, calota hotel e é preso


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‘CONSULTA’ INDIGESTA - O delegado Eduardo Lopes Bonfim exibe o jaleco e o estetoscópio usado pelo falso médico: Fausto Silva Júnior (no destaque) se passou por médico e tentou arrumar emprego em cidades da região, al&eac
‘CONSULTA’ INDIGESTA - O delegado Eduardo Lopes Bonfim exibe o jaleco e o estetoscópio usado pelo falso médico: Fausto Silva Júnior (no destaque) se passou por médico e tentou arrumar emprego em cidades da região, al&eac
Um golpista que se passava por médico foi preso pela Polícia Civil de Franca na terça-feira. Sem nunca ter estudado medicina e usando nomes falsos, tentou arrumar serviço como plantonista na Santa Casa e em cidades vizinhas. Com o prestígio financeiro que o status de “doutor” lhe dava, também foi atrás de empréstimo para comprar um carro zero quilômetro. Foi descoberto pelos policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) antes que pudesse aplicar os golpes. Mesmo assim, causou prejuízos a pelo menos dois hotéis, a taxistas e a garotos de programa. O disfarce era quase perfeito. Tinha o tradicional jaleco branco com o nome do hospital, o estetoscópio e relatórios de supostas teses defendidas. Para completar a farsa, carregava recibos de pagamentos de serviços prestados a prefeituras e formulários de exames. Um homem com esta bagagem chegou a Franca no dia 8, terça-feira passada, e se hospedou no Tower Hotel usando o nome falso de Gilmar Dias de Almeida. Entre diárias, telefonemas, cervejas, lanches e pizza de frango com catupiry, gastou R$ 1,1 mil. Saiu no dia 14 e “esqueceu” de pagar a conta. No dia seguinte, já estava no Hotel Franca Inn, onde se hospedou com o nome de Fausto Ribeiro Naoum Júnior. Lá foi preso e deu um prejuízo de R$ 260. Antes, utilizou o serviço fiado de taxistas, deu o cano em R$ 150. Segundo a Polícia, também não pagou por saídas com garotos de programa. O valor não foi revelado. Na segunda-feira, ele esteve na Santa Casa de Franca como médico visitante. Vestia roupas brancas e um jaleco da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. Estava com um estetoscópio dependurado no pescoço. Disse que era o doutor Gilmar e pediu para falar com o chefe da ortopedia, estava à procura de emprego. Como ele não estava, foi recebido pela responsável. Tentou sair por um caminho diferente do que havia entrado no hospital e foi impedido. No dia seguinte, voltou ao hospital com um fax falso dizendo que estaria encaminhando um paciente. Tentou entrar pela clínica e foi barrado. Pouco depois, a direção recebeu uma ligação do gerente do hotel informando que um médico que se dizia prestador de serviços da Santa Casa havia saído sem pagar a conta. Foi quando o golpista começou a ser descoberto. A Polícia foi avisada e checou o nome e o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) que ele havia passado ao se hospedar. Constatou que eram de um verdadeiro médico atuante no interior de Minas Gerais. Em contato com a delegacia mais tarde, o profissional contou que o indivíduo já havia usado seu nome para aplicar golpes em outras cidades de São Paulo. Após confirmar que estavam diante de um golpista, o delegado Eduardo Lopes Bonfim e o investigador Lucas saíram à sua procura pelos hotéis da cidade. Ele foi encontrado às 19 horas no Hotel Franca Inn. “Nós o detivemos no momento em que ele desceu para usar a Internet. Não portava documentos. Fomos até seu apartamento e apreendemos todos os seus pertences. Na delegacia, foi reconhecido por representantes do Tower e também pelos dois taxistas”, contou o delegado. Com o falso médico, foram apreendidos formulários de exame em nome da Prefeitura de Batatais, receitas em branco da Santa Casa de Franca e holerites de pagamento das prefeituras de Álvares Florence (SP) e Votuporanga (SP), ambos em nome do médico Doélio Ivam Bérgamo. “Ele disse ter furtado do consultório do médico. Possivelmente, usaria os holerites para tentar reforçar a alegação de que seria mesmo um médico”. Durante a semana em que ficou em Franca, o golpista esteve em uma agência bancária e tentou fazer o empréstimo de R$ 23 mil para comprar um carro. Não conseguiu. Também foi a duas concessionárias. “O objetivo maior dele era comprar veículos. Se apresentando como médico, ganhava a confiança dos vendedores. No ano passado, ele adquiriu um Honda Civic e circulou com ele um mês sem pagar. Abandonou o carro em Ribeirão Preto. Também vendeu um Ecosport no Mato Grosso, que havia sido adquirido de maneira ilícita em Santa Catarina”. [FOTO2] A identificação do golpista só foi possível com a comparação de dados e fotos disponíveis no Infoseg, banco de dados do Ministério da Justiça. Ele se chama Fausto Silva Júnior, tem 30 anos e nasceu em Goiandira (GO). Consta com passagens anteriores no Ceará por estelionato e falsificação de documentos. “Ele se apresentou à Polícia de Franca com nome falso, mas não portava documento que o identificasse como outra pessoa. Por isso, não tivemos como prendê-lo. O fato de não pagar os hotéis se enquadra no rol dos crimes de menor potencial ofensivo, os quais não cabem flagrante”, explicou o delegado Bonfim. Para a configuração do crime de falsidade ideológica seria necessária a inclusão ou omissão de dados falsos em documentos públicos ou particulares com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, segundo o artigo 299 do Código Penal. Por volta da 1 hora de ontem, após passar seis horas prestando depoimento, o falsário foi liberado e não foi mais visto pelos policiais. Deixou para trás seu jaleco e o estetoscópio. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Santa Casa informou que só contrata médicos com referências e indicados de outros profissionais. Exige documentação formal, diploma e título de especialista. Antes da contratação, é submetido a três avaliações.

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