Em 12 meses, o salário médio dos catadores de materiais recicláveis em Franca encolheu. Há um ano, os preços pagos pelos produtos recolhidos nos lixos e ruas da cidade vêm caindo. A redução varia de 25% (no caso do papelão) a até 42% (plásticos) (veja mais no texto ao lado). Para quem depende do lixo para sobreviver, os efeitos dessa redução são duros.
Aparecida Pinheiro Bessalari e sua filha Maria do Patrocínio catam lixo pelas ruas há nove anos. Para manter os ganhos depois da redução, precisaram estender a jornada de trabalho. Antes, com a venda dos produtos reaproveitáveis, as duas conseguiam R$ 450 por mês. Hoje, mesmo com mais horas de trabalho, não conseguem superar os R$ 380 mensais.
Elas saem todos os dias de casa às 5h30. Passam pelas fábricas de calçados, estabelecimentos comerciais, empresas e, claro, residências que separam lixo reciclável no Jardim Ângela Rosa. Juntas, acumulam cerca de 50 quilos de papéis, plásticos, metais e vidros em seu carrinho e voltam para casa. Separam os materiais e vendem mensalmente ao Ferro Velho do Aeroporto III. A filha, doente, tem pouca participação, mas ajuda no que pode. “Não temos alternativa. Precisamos comer. Por isso, mesmo com o dinheiro apertado, continuamos trabalhando”.
Há um ano, Aparecida podia dormir um pouco mais. “Antes, nós íamos para a rua sempre às 7 horas, mas, como agora o que ganhamos diminuiu, para não perder tanto, precisamos recolher mais. O jeito é levantar mais cedo”.
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Marina Aparecida Custódio dos Santos também sustenta a família com o que consegue vendendo materiais recicláveis que recolhe pelas ruas. Ela tem que se virar para equilibrar as contas por causa da defasagem salarial. Segundo a catadora, seus rendimentos mensais há um ano chegavam a R$ 420. Hoje, mesmo recolhendo a mesma quantidade de produtos recicláveis dificilmente ela consegue mais de R$ 250. “Eles (os sucateiros) estão pagando menos para a gente. Tudo agora ficou mais barato”.
Para piorar, Maria também perdeu o cavalo que a ajudava a percorrer os bairros mais distantes de sua casa, no Recanto Elimar. “Estou tendo que trabalhar bem mais”. Para ajudar no orçamento ela freqüenta reuniões periódicas organizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social para ter direito ao Renda Mínima, uma ajuda de custo mensal de R$ 60. “É pouco, mas, para mim, faz diferença”.
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