Mulher perde bebê aos nove meses de gestação; família culpa S. Casa


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Há nove meses, a sapateira Deise Alvim, 25, descobriu que estava grávida. Deu a notícia com entusiasmo para o marido, Saulo Ferreira, e a sogra Nair Reis. Desde então, a família planejava a chegada do bebê. Aos cinco meses de gestação, o exame de ultra-som indicava que ela esperava uma menina, que logo ganhou o nome de Yasmim. Na terça-feira, o sonho virou pesadelo. Deise sentiu dores e procurou atendimento médico na Santa Casa. Foi consultada e liberada. Quatro horas depois, ela perdeu o bebê. A família culpa o hospital. Yasmim seria o terceiro filho da sapateira (ela tem um menino de 8 e uma menina de 11 anos) e a primeira filha de Saulo. A mãe de Saulo e a irmã, Sônia Ferreira, aguardavam ansiosas a chegada da pequena. Segunda-feira à noite, por volta das 23 horas, a gestante sentiu dores na barriga. Pensou que estava na hora do parto. Procurou a Santa Casa e o médico disse que ela estava iniciando o trabalho de parto, mas que poderia ir para a casa e esperar porque o bebê estava bem. “Pedi para ficar lá, mas ele disse que não era necessário e me liberou”. Preocupada, ela decidiu ficar na casa da sogra. Às 3 horas de terça-feira, Deise sentiu fortes contrações e sofreu uma hemorragia. Foi levada à Santa Casa, mas não deu tempo. A criança morreu. “O médico me garantiu que não tinha perigo e eu perdi minha filha”. A cunhada de Deise e madrinha do bebê, Sônia Ferreira, estava revoltada. “Estávamos esperando ela (Yasmim) com festa, mas ela chegou no caixão”, disse, chorando. A sogra da sapateira registrou boletim de ocorrência de negligência médica e quer processar a Santa Casa. “Pretendo ir até o fim nesta história”. Procurada, a Santa Casa disse que os procedimentos adotados com a gestantes foram normais, que ela estava em início de um trabalho de parto - poderia durar de 3 a 12 horas - e não havia indícios da necessidade de cesárea. “Quando ela voltou, às 3 da manhã, tinha perdido muito sangue e apresentava um descolamento prematuro de placenta. Isso é uma fatalidade”, disse Lila Crespo, assessora de marketing do hospital. Segundo Lila, a Santa Casa não abrirá sindicância para apurar o caso.

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