Diminui queima de cana


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O INPE criou o Projeto CANASAT em parceria com a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (UNICA), o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Esalq/USP, em 2003 com a finalidade de desenvolver um sistema de previsão e monitoramento da safra canavieira na Região Centro-Sul utilizando os mais recentes avanços tecnológicos, tais como imagens de satélite e GPS. Pode-se, por exemplo, obter informações sobre a distribuição espacial da cana nos municípios do Estado de São Paulo. Os resultados do CANASAT podem ser encontrados na internet (www.dsr.inpe.br/canasat) através de mapas temáticos com a localização das usinas e destilarias, mosaicos de imagens em diferentes composições coloridas, além de ser possível fazer consultas nas ferramentas de análise espacial. Relatórios técnicos são disponibilizados. O CANASAT mapeia a área cultivada nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Isto é particularmente útil, já que o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar e o maior exportador de açúcar e álcool do mundo. Cerca de metade da produção de açúcar é exportada, gerando mais de 2 bilhões de dólares anualmente. E o Estado de São Paulo é responsável por 60% de todo o açúcar e álcool produzido no País e por 70% das exportações de açúcar. Por isso a importância da constatação. O CANASAT já serviu de base para o Protocolo Agroambiental, assinado recentemente pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), pela UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar de São Paulo) e pela Secretaria de Meio Ambiente. O documento antecipa os prazos para o fim das queimas nos canaviais em São Paulo e estipula ações de sustentabilidade ambiental. Os mapas elaborados pelos técnicos do INPE mostraram a redução da área de queima e, ao mesmo tempo, o avanço da mecanização nos canaviais. Foram 108 mil hectares a menos de área queimada, número 5% menor em relação à safra do ano passado. Já a área cultivada cresceu 520 mil hectares. Nas duas últimas safras: 2006-2007 e 2007-2008, a colheita sem o uso do fogo aconteceu em 656 mil hectares, o que significa aumento de 34% para 46% da área total colhida em São Paulo, que foi de 3,79 milhões de hectares. O benefício ambiental é grande, evitar a queima da cana significa reduzir a emissão de poluentes, calculada em 3.900 toneladas de material particulado, o que equivale a 28% da emissão de diesel na região da Grande São Paulo. Por tudo isso, o projeto mostra-se fundamental para formular políticas públicas na área, podendo ser usadas para a previsão e estimativa da área cultivada, aferir a produtividade e mostrar como se dá o avanço da cultura. Inclusive verificará se cana está ocupando áreas de outras culturas. Mário Eugênio Saturno Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva.

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