IML não conclui morte de catadora de lixo


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REINCIDENTE - Acusado da morte de aposentada no ano passado, ASF já cumpriu pena em Minas Gerais por agredir sua primeira mulher
REINCIDENTE - Acusado da morte de aposentada no ano passado, ASF já cumpriu pena em Minas Gerais por agredir sua primeira mulher
A depender do resultado do laudo emitido pelo Instituto Médico Legal de Franca, o esclarecimento da morte da catadora de papel Roseli da Graça Vitoreli, ocorrida sábado, ainda dependerá de uma investigação policial. O exame de necropsia não aponta nenhuma linha que possa, conclusivamente, definir como ela morreu. Ontem, a Polícia Civil pediu a prisão temporária de ASF, seu companheiro, mas pela participação em um crime ocorrido 11 meses atrás, também em Franca. Até o fechamento desta edição, a Justiça ainda não havia decretado a prisão de ASF. Outro problema de violência doméstica já o levou à prisão, oito anos atrás, em São Sebastião do Paraíso (MG). Roseli Vitoreli deu entrada na Santa Casa apresentando quadro de peritonite e perfurações do reto. Depois de ser operada pelo médico Eduardo Sandoval, seu quadro clínico apresentou ligeira melhora, mas piorou em seguida. No sábado, ela morreu. A polícia investiga as causas de sua morte bem como se algum objeto foi introduzido em seu ânus. Em comunicado ao Instituto Médico Legal, outro médico, dessa vez o plantonista Daniel Arsie, recomendou que o caso fosse investigado. Na carta, endereçada ao IML, consta que a lesão no reto tivera provável “origem traumática”. O corpo de Roseli teria chegado ao IML em condições que não permitiram identificar a origem dos ferimentos. Segundo o médico Marcos Vinicius Jardini Barbosa, não é possível afirmar com certeza qual a causa da morte. Questionado se é coerente imaginar que uma relação sexual normal pudesse produzir as lesões verificadas no corpo, disse que sim. Da mesma forma foi questionado sobre a possibilidade da lesão ter sido ocasionada por um objeto, a resposta também foi afirmativa. No Jardim Panorama, a irmã da catadora morta, Sueli Batista de Almeida, disse que Roseli era constantemente ameaçada e sofria agressões seguidas de ASF, com quem tinha um relacionamento havia perto de três anos. Os dois não teriam residência fixa. Ultimamente, segundo Sueli, viviam na casa da mãe do companheiro, que reside a poucas ruas de distância, também no Panorama. [FOTO2] Com 44 anos, Roseli era alcoólatra e mãe de cinco filhos. Destes, duas meninas adolescentes vivem na casa de uma tia. Uma criança, de 5 anos, há três está sob a guarda do Conselho Tutelar. Sueli acusa o ex-companheiro da irmã de tê-la agredido e causado os machucados que levaram Roseli à morte. “Sempre que ela brigava vinha procurar a gente. Sempre reclamava que ele (ASF) queria manter relações sexuais ‘diferentes’ com ela”, disse Sueli. Na versão do principal envolvido, a história é outra. ASF disse que tinha brigas freqüentes com Roseli, mas que não passavam de discussões, como “qualquer casal”, e que a companheira era muito ciumenta. Negou que eles mantivessem apenas relações sexuais anais a pedido dele. “Quando a gente se conheceu, ela logo disse o que queria. Daí em diante não teve mais jeito”, afirmou ele, que também reafirmou a condição de alcoólatra de Roseli, queixando-se de que ela bebia pinga pura várias vezes ao dia. Catador de papel, ASF teve o último emprego registrado em 2006, como servente de pedreiro. De sua casa, só saiu ontem para ir à delegacia, o que deve se repetir hoje. Certo de que será preso, previu: “Vão acabar comigo lá dentro”.

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