Depósito de lixo, cemitério de animais mortos, esconderijo para bandidos e usuários de drogas e abrigo de baratas, ratos e cobras. As conhecidas “funções” impostas aos matagais em Franca foram ampliadas. Mas o novo uso dos locais é ainda mais nojento. O terreno baldio com mato na Rua Honório Lima, no Jardim Aeroporto IV, foi transformado em banheiro público. Vizinhos reclamam do cheiro de fezes (de gente) que exala do local e é sentido com freqüência de suas casas.
A dona de casa Alessandra Macedo da Silva, 27, mora no bairro há sete anos e é vizinha de frente do “banheiro”. Além de ter de conviver com a invasão de cobras e aranhas vindas da área, é obrigada a suportar o cheiro de fezes em sua residência. Ela está indignada com a situação. “Tem dia que vem um cheiro de m... que não agüento. Perto da minha casa tem a lagoa de esgoto da Sabesp, mas o cheiro é diferente. O de m... vem dali mesmo, do terreno”.
Alessandra disse que há pelo menos dois anos o terreno não é limpo. “Precisam tomar providência urgente. Parece que minha vizinha já fez um abaixo-assinado para pedir a limpeza, mas não sei o que virou”, disse.
A estudante Alana Neves, 16, mora com a tia no Aeroporto IV há apenas dois meses e já presenciou os problemas vindos do mato. “Sentimos um ‘cheirão’ forte, de fezes de gente. É todo dia. Não sei quem faz isso (usa o local como sanitário)”.
Em outro ponto da cidade, na Vila Santa Rita, o cheiro ruim não é o maior problema enfrentado pelos moradores, mas a proliferação de bichos. A casa da terapeuta holística Araci Agria Monteiro, 54, está cercada por três matagais. Ela reside na Rua Amapá com um terreno de cada lado do imóvel e um na frente. Praticamente “engolido” pelo mato, o imóvel é alvo de constantes invasões de animais. Eles vencem as barreiras colocadas na casa. “Sempre me levanto à noite para beber água e cruzo com aranhas e aquelas baratas enormes e nojentas pelo chão. Minha casa tem telas em todas as janelas, vitrôs e portas, além de proteção nos ralos e panos nas portas, mas os bichos conseguem entrar”, disse.
Na residência de Araci, quem olha pelas janelas de dois quartos e do banheiro tem a impressão de que existe um jardim no corredor, mas não. O mato de um dos terrenos do lado cresceu tanto que conseguiu ultrapassar o muro, invadir o quintal e ficar sobre o telhado.
A moradora está no endereço há dois anos e neste período viu poucas mudanças nos matagais. “Só limparam um dos terrenos e uma única vez. Os outros estão deste jeito há muito tempo. É cheio de lixo. Quando bate o vento, entra tudo na minha casa”.
Sua empregada, Patrícia Pereira, ligou na última sexta-feira para a Prefeitura para reclamar dos matagais, mas apenas recebeu o número do protocolo e a informação de que terá de esperar. A reportagem localizou o dono de um dos terrenos na tarde de ontem e ele prometeu que mandará limpá-lo nos próximos dias.
O mato num terreno da Avenida Adhemar Polo Filho, no Parque dos Lima, também está gigante. Ele cresceu tanto a ponto de algumas partes terem ultrapassado a altura do telhado de dois barracos de madeira construídos no local. A Prefeitura notifica os donos assim que o mato atinge mais de 50 centímetros, mas esses já têm mais de dois metros. “Estão bem altos, mas não incomodam tanto porque nem ficamos muito em casa e vamos nos mudar logo”, disse o pedreiro Bento Lopes, 45.
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RETORNO
A Prefeitura promete averiguar o “banheiro” criado no Aeroporto IV e notificar o(s) responsável(is) até o fim desta semana. A reportagem informou o problema ao chefe da vigilância em saúde, Fernando Baldochi, na segunda-feira e ele prometeu enviar um fiscal ao endereço para verificar a situação e depois notificar o dono a fazer a limpeza da área (leia mais ao lado como é esse processo).
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