Praga verde


| Tempo de leitura: 3 min
Mato em terreno na Rua Amapá, na Vila Santa Rita, está enorme. Tamanho já ultrapassa altura do portão
Mato em terreno na Rua Amapá, na Vila Santa Rita, está enorme. Tamanho já ultrapassa altura do portão
Depósito de lixo, cemitério de animais mortos, esconderijo para bandidos e usuários de drogas e abrigo de baratas, ratos e cobras. As conhecidas “funções” impostas aos matagais em Franca foram ampliadas. Mas o novo uso dos locais é ainda mais nojento. O terreno baldio com mato na Rua Honório Lima, no Jardim Aeroporto IV, foi transformado em banheiro público. Vizinhos reclamam do cheiro de fezes (de gente) que exala do local e é sentido com freqüência de suas casas. A dona de casa Alessandra Macedo da Silva, 27, mora no bairro há sete anos e é vizinha de frente do “banheiro”. Além de ter de conviver com a invasão de cobras e aranhas vindas da área, é obrigada a suportar o cheiro de fezes em sua residência. Ela está indignada com a situação. “Tem dia que vem um cheiro de m... que não agüento. Perto da minha casa tem a lagoa de esgoto da Sabesp, mas o cheiro é diferente. O de m... vem dali mesmo, do terreno”. Alessandra disse que há pelo menos dois anos o terreno não é limpo. “Precisam tomar providência urgente. Parece que minha vizinha já fez um abaixo-assinado para pedir a limpeza, mas não sei o que virou”, disse. A estudante Alana Neves, 16, mora com a tia no Aeroporto IV há apenas dois meses e já presenciou os problemas vindos do mato. “Sentimos um ‘cheirão’ forte, de fezes de gente. É todo dia. Não sei quem faz isso (usa o local como sanitário)”. Em outro ponto da cidade, na Vila Santa Rita, o cheiro ruim não é o maior problema enfrentado pelos moradores, mas a proliferação de bichos. A casa da terapeuta holística Araci Agria Monteiro, 54, está cercada por três matagais. Ela reside na Rua Amapá com um terreno de cada lado do imóvel e um na frente. Praticamente “engolido” pelo mato, o imóvel é alvo de constantes invasões de animais. Eles vencem as barreiras colocadas na casa. “Sempre me levanto à noite para beber água e cruzo com aranhas e aquelas baratas enormes e nojentas pelo chão. Minha casa tem telas em todas as janelas, vitrôs e portas, além de proteção nos ralos e panos nas portas, mas os bichos conseguem entrar”, disse. Na residência de Araci, quem olha pelas janelas de dois quartos e do banheiro tem a impressão de que existe um jardim no corredor, mas não. O mato de um dos terrenos do lado cresceu tanto que conseguiu ultrapassar o muro, invadir o quintal e ficar sobre o telhado. A moradora está no endereço há dois anos e neste período viu poucas mudanças nos matagais. “Só limparam um dos terrenos e uma única vez. Os outros estão deste jeito há muito tempo. É cheio de lixo. Quando bate o vento, entra tudo na minha casa”. Sua empregada, Patrícia Pereira, ligou na última sexta-feira para a Prefeitura para reclamar dos matagais, mas apenas recebeu o número do protocolo e a informação de que terá de esperar. A reportagem localizou o dono de um dos terrenos na tarde de ontem e ele prometeu que mandará limpá-lo nos próximos dias. O mato num terreno da Avenida Adhemar Polo Filho, no Parque dos Lima, também está gigante. Ele cresceu tanto a ponto de algumas partes terem ultrapassado a altura do telhado de dois barracos de madeira construídos no local. A Prefeitura notifica os donos assim que o mato atinge mais de 50 centímetros, mas esses já têm mais de dois metros. “Estão bem altos, mas não incomodam tanto porque nem ficamos muito em casa e vamos nos mudar logo”, disse o pedreiro Bento Lopes, 45. [FOTO2] RETORNO A Prefeitura promete averiguar o “banheiro” criado no Aeroporto IV e notificar o(s) responsável(is) até o fim desta semana. A reportagem informou o problema ao chefe da vigilância em saúde, Fernando Baldochi, na segunda-feira e ele prometeu enviar um fiscal ao endereço para verificar a situação e depois notificar o dono a fazer a limpeza da área (leia mais ao lado como é esse processo).

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários