Sobre ranchos e picapes


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O cenário quase não muda. Ou, pelo menos, não muda a ponto de impressionar. Micros e pequenos continuam distantes uns dos outros. Abrem mão do crescimento ao relegarem a força do conjunto ao lixo. Há razões? Prepotência? Teimosia? Não há como achar tempo porque a lida é renhida? Vai aparecer alguém, algum dia, com força suficiente para aglutinar? O comportamento individualista dos pequenos é cultural, enraizado. Poucos se atualizam, poucos se previnem, poucos entendem que soluções adequadas só se produzem em grupo quando os interesses são os mesmos. Infelizmente, na realidade muito dura da pouca profissionalização, reuniões só ocorrem para confrontar patrimônios e vaidades. As micro e pequenas - e tenho batido nesta tecla há algumas semanas - são o presente e o futuro de curto prazo. Gigantes, em todo o mundo estão descobrindo o valor dos pequenos, entregando-lhes facções de suas produções e fechando superestruturas deficitárias, complicadas, lentas. E estes pequenos estão se reunindo em cooperativas, associações ou outras formas legais de dividirem suas preocupações e buscarem soluções conjuntas. Lá e aqui no Brasil. Bem perto, aliás. Associações de empresários em cidades como Jaú, Nova Serrana, Birigüi e Guaxupé têm, em representação a seus associados, negociado com sindicatos, fornecedores e até com representantes de varejo, posicionamentos, preços, consultoria, exigências, educação, treinamento. E, melhor do que tudo, falam de forma representativa com entidades nacionais (Sebrae, Senai), exigindo a abertura de projetos adaptados ao perfil de seus associados. Para sindicatos, ficam apenas as questões trabalhistas e políticas setoriais, como aliás, deveria ter sido sempre. Segundo o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), “associação, em um sentido amplo, é qualquer iniciativa formal ou informal que reúne pessoas físicas ou outras sociedades jurídicas com objetivos comuns, visando superar dificuldades e gerar benefícios para os seus associados”. Vale frisar: “(..) visando superar dificuldades e gerar benefícios (...)”. A Associação dos Fornecedores da Indústria Calçadista de Franca (Afic) é um exemplo próximo. Segundo seu presidente, Eduardo Ferreira, a meta de aproximar os empresários do setor (inclusive e principalmente micro, pequenas e até informais) vem sendo atingida aos poucos. O objetivo de intercambiar informações, tecnologias, técnicas de administração e gerenciamento tem sido alcançado. “Buscamos as pequenas empresas para transferir conhecimentos, cursos, inovações, novas tecnologias, auxiliando no know how de gerenciamento”, e conclui: “Em Franca, todos os setores são individualistas. É o espírito da cidade e isso não é fácil mudar. Não adianta abrir as portas de uma associação, sentar e ficar esperando que os empresários nos procurem”. Ele está certo. Nada aconteceu por acaso. Se esforços nesse sentido ocorrerem, há um desafio amplo, inicial: quais são as empresas, que perfis têm (o Sindicato da Indústria perdeu grande número de associados ao longo de anos porque se recusou a receber micro e pequenos e não agiu para ajudar na organização e na legalização de centenas de fundos de quintal, uma tendência histórica na vida da cidade), onde estão, quantas são, o que negociam, com quem e por quê. E aí, não haverá vida fácil: quem liderar um movimento do tipo levará “chá-de-cadeira”, deverá repetir visitas, insistir ao máximo.... E o resultado virá a médio e longo prazo. Não antes. Um “direto” no estômago: a Prefeitura é beneficiária direta dos resultados em que um nível de organização desse poderia resultar. Já deveria ter se mexido para criar um setor, divisão ou algo que o valha, realmente atuante, para iniciar caminhada neste sentido. Outro “direto”, no olho: o Sindifranca, como entidade representativa, já deveria ter se conformado com o fato de que o setor não é composto apenas de meia dúzia de indústrias “formais e completas”. É composto também de clandestinas, fundos de quintal, portas de garagem, enfim, de pessoas dispostas a trabalhar na calçada de casa para produzir calçados de “gente grande”. E que é preciso fazer com que essa indústria saia da informalidade. E mais um no ouvido dos microempresários: definitivo é organização, inteligência empresarial, planejamento; sobretudo, força de grupo. Ranchos e picapes são mera conseqüência. FRANCAL COMEMORA A diretoria da Francal Empreendimentos, responsável pela Francal 2008 Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes, se encontrou ontem com representantes do setor calçadista de Franca, para falar sobre a 40ª edição do evento, a ocorrer de 1º a 4 de julho, no Pavilhão do Anhembi, capital paulista. Na oportunidade, Abdala Jamil Abdala, presidente da empresa, prestou homenagens ao ex-prefeito José Lancha Filho, gestor da cidade em 1969 e um dos principais incentivadores da organização da primeira feira; Nelson de Paula Silveira, presidente da primeira edição; Calçados Agabê e jornal Comércio da Franca, desde a primeira edição, presentes. ROTEIRO Hoje a direção da empresa vai a Jaú onde, em evento similar ao de ontem em Franca, apresentará detalhes das comemorações dos 40 anos da feira, bem como sobre as várias atividades setoriais que acontecem paralelamente à realização da feira. O encontro se dará na sede do Sindicato das Indústrias da cidade. O roteiro das viagens de Abdala e seus diretores prosseguirá nos próximos dias e semanas. Estão projetadas visitas a Nova Serrana, Belo Horizonte, Novo Hamburgo e outros pólos calçadistas, antes da feira, em julho. Alexandre P. Fischer, publicitário, integra a equipe de Design Gráfico do Comércio. Responde interinamente pela coluna.

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