Com 21 anos, o estudante Vinícius Meletti Moscardini segue o movimento dos góticos há cinco anos e diz sofrer com o preconceito. “Show de sertanejo ou pagode pode, mas, quando se fala em rock, tudo é proibido”. Moscardini estava na praça no dia do show e acha que os vizinhos têm falado demais. “A Polícia estava presente e também havia alvará. Não fizemos arruaça. O show só foi na praça por falta de um salão”.
Karla Cristina Andrade, 18, defende a mesma opinião do amigo Vinícius e lembra que, por onde anda, sofre preconceito da população. “As pessoas me olham com cara feia só porque ando de preto. Não sou gótica, só curto rock”. Para ela, se o estilo fosse mais aceito, não haveria dificuldade de se alugar um salão para as festas. “No domingo, tivemos que curtir o nosso som num bar”.
O Comércio tentou falar com os organizadores do evento e com a vocalista da banda que fazia o show na porta do cemitério, mas não conseguiu. Seus celulares só caíam na caixa postal.
O ESTILO
Jovens que adotam o estilo de vida gótico, identificado pelo uso de roupas escuras, apreciação a objetos fúnebres, cemitérios e por gostar de rock pesado, são definidos como um subgênero do movimento punk. Em Franca, não há um controle de quantos são e locais ou políticas públicas voltadas para essa tribo urbana.
Sabe-se apenas que andam em grupos, gostam de ficar em praças e têm admiração por cemitérios.
Agnaldo de Sousa Barbosa, doutor em sociologia e professor da Unifran (Universidade de Franca), disse que o movimento surgiu na década de 1980 e é uma forma de expressar sentimentos depressivos. Barbosa diz que a maioria dos adeptos tem entre 16 a 24 anos e inspira tristeza, ar sombrio e uma angústia. “É uma forma de expressar insatisfação”. Para o sociólogo, a atração por cemitérios está relacionada à calma que o local transmite, ou seja, um lugar propício para a reflexão.
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