Autorizados pela Prefeitura, jovens vestidos de preto resolveram dar uma festa na noite do sábado, dia 5. Ao som de heavy metal (rock pesado) no último volume, beberam, dançaram, gritaram e deixaram um rastro de queixas e reclamações. O local escolhido para o evento: a Praça Carlos Pacheco, em frente ao Cemitério da Saudade, Centro de Franca. O barulho provocado por bateria e guitarras começou por volta das 19h30 e só terminou após as 23 horas, com intervenção da Polícia. Se não bastasse a baderna, os presentes ainda furtaram energia elétrica da banca de revista localizada na praça. Incomoadas com toda a desordem, as famílias moradoras da região pedem providências e uma maior fiscalização no espaço público. A turma acusada de fazer o barulho se defende e não concorda com as reclamações.
Silvano Braga, 32, autônomo, presenciou o evento realizado no dia 5 de abril e disse que a paz noturna no local tem sido rara.
“Fiquei perplexo com a quantidade de pessoas na praça e o alto volume do som provocado pela banda. Não dava pra conversar. Era uma gritaria só”. Sua namorada, a estudante Lilian Menossi, 25, que mora com a avó nas proximidades da praça, também se disse indignada com a arruaça provocada pelos jovens identificados como participantes do movimento gótico. “Minha avó tem 77 anos e o barulho muito alto acaba incomodando. Fica difícil dormir”. Lilian disse que, além do descaso com a praça, a turma do barulho também já causou prejuízo ao cemitério municipal. “Teve uma vez que encontrei um crânio no portão da minha casa”.
Em novembro de 2006, um jovem ligado ao movimento gótico arrombou túmulos e tentou levar um caixão para a rua. A ação só não foi concretizada, pois ele teria se assustado com a aproximação de um carro.
Em torno de toda a praça, com medo de represálias, a maioria dos moradores prefere não tocar no assunto, mas é unânime o descontentamento com os freqüentadores noturnos do local. “A minha janela fica para a rua. Não consigo dormir. Além disso, eles sobem nas estátuas e urinam na porta de casa. Quando não é essa turma de noite, são os desocupados durante o dia que batem em casa pedindo comida”, disse uma senhora que pediu para não ser identificada.
Karla Cristina Andrade estava presente no show e não concorda com os moradores. Para ela, o evento foi tranqüilo e eles não podem ser tachados de vândalos. “Era apenas uma apresentação de algumas bandas de rock que não conseguem salão para alugar para fazer o show. Não destruímos nada”.
Outro motivo de indignação por parte dos moradores foi a autorização por parte da Prefeitura para que o evento fosse realizado. “Eles tinham um alvará que era exibido como prêmio, por isso fica a pergunta: como a Prefeitura dá autorização para um evento que tira o sossego e detona a praça?”, questionou um comerciante.
Ismael Xavier, chefe do departamento de fiscalização e posturas da Prefeitura, confirmou que o alvará foi concedido e, de início, disse não ver problema algum com o evento. Indagado sobre de onde sairia a energia para a festa, afirmou não ter se atentado para o detalhe. “O alvará permitia a banda das 18 às 22 horas. Não vimos nada de errado, mas, a partir de agora, teremos que selecionar melhor os eventos. Para essa turma, principalmente, já há uma restrição na emissão de alvará”.
Xavier também disse que, em casos como esse, os moradores podem acionar a Patrulha do Sossego, ligando para o telefone 190, e reclamar do barulho. A respeito da falta de guardas para preservar o patrimônio público, tenente Sérgio Buranelli, chefe da Guarda Civil, justificou que não houve o acionamento da guarda. “Não fomos informados do evento e ninguém ligou para o 153 e reclamou do descaso com o patrimônio”.
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