A advogada Adriana Telini, que teve sua prisão decretada por planejar roubos contra clientes e foi suspensa pela OAB, está sendo investigada agora por estelionato. Segundo a polícia, ela teria pago a faxineira, a vendedora de roupas e o salão de cabeleireiro com cheques roubados. O prejuízo chega à casa dos R$ 10 mil.
A ocorrência começou a ser investigada pela polícia há dois meses - após o polêmico roubo das jóias - mas se originou há um ano. Em abril de 2007, uma dentista de 51 anos, moradora da Vila Industrial, percebeu que dois talões de cheque haviam sumido de sua casa. A residência havia sido invadida por ladrões dias antes.
No mesmo período, foi comunicada pela agência que os cheques estavam “caindo” e que uma das folhas havia sido paga. Não demorou para que dez outras folhas fossem apresentadas e retidas. Em fevereiro passado, a dentista recebeu a ligação de um homem reclamando que estava com um cheque em nome dela no valor de R$ 280 e que o mesmo havia voltado.
Ele informou que havia recebido a folha de uma faxineira, que fez limpeza no escritório de Adriana Telini. Foi quando o nome da advogada passou a ser relacionado com os sumiços dos talonários.
Não foi a única ligação que a dentista teria recebido com a mesma reclamação. “Conseguimos identificar outras seis vítimas que receberam os cheques furtados. Três delas já foram ouvidas e confirmaram que as folhas foram repassadas por Adriana Telini”, contou o investigador Reginaldo Calil, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais).
Uma das vítimas é uma mulher de 63 anos, que vende roupas para a família da advogada há dez anos. Em janeiro, ela recebeu dois cheques no valor total de R$ 600 fornecidos por Adriana Telini como pagamento de prestação. Ambos voltaram. Em seu depoimento, ela afirmou ter ligado para o escritório. A secretária da advogada teria atendido e se passado por filha de Adriana.
A vendedora teria voltado a ligar no outro dia, quando foi atendida por uma mulher. Pela voz, reconheceu que era Adriana Telini. A advogada teria tentado se passar pela emitente do cheque e as duas acabaram discutindo pelo telefone.
Dias depois, a vendedora teria procurado pelo pai de Adriana Telini e ele teria se comprometido a pagar a dívida. Ainda segundo a polícia, a advogada teria passado um cheque no valor de R$ 290 em um salão de cabeleireiro. “Os cheques passados atingem a quantia de R$ 10 mil. Estamos atrás de outras vítimas, mas elas têm medo e não querem se comprometer. Não temos dúvida de que a Adriana Telini sabia que os talões eram de origem ilícita. Agora, vamos apurar se ela participou efetivamente do furto”, disse o investigador.
O policial informou que Adriana deverá responder pelo crime de estelionato, mas pode também ser indiciada por formação de quadrilha. “Se outras pessoas estiveram envolvidas, ela também poderá ser enquadrada por formação de quadrilha”, finalizou o investigador.
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