Falta oponente


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Tudo leva a crer que o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) será reconduzido, no próximo dia 5 de outubro, para um novo mandato à frente da Prefeitura de Franca. Independente da opinião que se tenha sobre seu governo, há alguns avanços importantes que precisam ser reconhecidos, ainda que alcançados ao custo da brutal diminuição dos espaços de discussão de idéias e projetos, especialmente na relação que se estabelece entre Executivo e Câmara de Vereadores. A dívida foi controlada, os gastos públicos estão em aparente ordem, a Prefeitura recuperou a capacidade de investimento e os serviços prestados, com exceção da área de saúde, estão sensivelmente melhores. Não é fundamentalmente por nenhuma destas razões, entretanto, que Sidnei Rocha será, quase certamente, reeleito. Muito mais do que a avaliação dos eleitores sobre seu governo, Sidnei Rocha deve vencer a disputa por uma razão bem mais simples: falta opção. Um hipotético leitor do futuro que estivesse neste instante consultando o acervo do Comércio em busca de informações sobre o quadro político de Franca em 2008 poderia achar que está examinando as edições erradas. Que errou de década. Ou de século. Sem exageros, nada de novo acontece na política em Franca há mais de 30 anos. Se minha previsão se confirmar e Sidnei vencer a disputa de outubro, ele terá mandato a cumprir até 2012. Franca terá fechado então um ciclo em que apenas quatro homens diferentes se alternaram no comando da cidade nos últimos 35 anos. Além de Sidnei (1983-1987, 2005-), só Maurício Sandoval Ribeiro (1977-1982, 1989-1992), Ary Balieiro (1987-1988, 1993-1996) e Gilmar Dominici (1997-2004) foram prefeitos neste intervalo. No mesmo período, oito homens diferentes terão presidido o Brasil. Outros oito ou nove, a depender da decisão de José Serra disputar a Presidência da República em 2010 terão chefiado o governo paulista. A falta de novidades não é exclusividade do clube dos vencedores. Também entre os derrotados há quase nenhuma liderança surgida. O próximo pleito é emblemático: entre os nomes cotados para disputar com Sidnei Rocha, há apenas um estreante, André Jorge, cuja relevância política só será conhecida após outubro. Todos os outros pré-candidatos são velhos conhecidos. O médico e presidente da Câmara Joaquim Ribeiro (PSB), o eterno quero-ser-prefeito-se-todo-o-povo-da-Franca-pedir, sonha com uma aclamação impossível. Enquanto isso, ensaia outra vez sua candidatura. Qualquer leitor com menos de 40 anos não era nascido quando Joaquim Ribeiro disputou a Prefeitura pela primeira vez. Foi em 1968, quando acabou derrotado por Lancha Filho. Ary Balieiro (PTB), atual vice-prefeito, é outro nome citado entre os “prefeitáveis”. Disputou e venceu sua primeira eleição em 1977, quando foi eleito vereador. Portanto, há 31 anos. Entre os que ocuparam cargos eletivos o calouro é Gilson Pelizaro (PT). Vereador há quatro mandatos, está no “ramo” há 16 anos. O único nome realmente relevante surgido nos últimos anos foi o do médico Marco Aurélio Ubiali (PSB). Que, ao ser eleito deputado federal, tinha mais de 60 anos. O quadro é desanimador. Há toda uma geração de francanos com 30, 40 e 50 anos que simplesmente se mantém à distância do universo político. São professores, empresários, comerciantes, estudantes, médicos, advogados que, indiferentes à importância do confronto de idéias e do debate franco, não se candidatam, não participam de política partidária nem das disputas eleitorais. Estamos politicamente congelados no tempo e no espaço, sem nomes novos, sem idéias revigorantes. Acompanhamos eleição após eleição as mesmas histórias, restritas aos mesmos protagonistas e concepções de mundo. Sem opção, votamos nos mesmos nomes. Estão aí Sidnei Rocha, Ary Balieiro, Joaquim Ribeiro e Gilson Pelizaro que não me deixam mentir.

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