Sem inspiração para começar o texto sobre ossos e músculos, saquei da gaveta uma barrinha de chocolate com morango para ganhar tempo enquanto pensava. Duas mordidas e algumas mastigadas e percebi que a resposta estava ali, na minha boca. Antes que o leitor fique horrorizado e lance um “creeedo!” em alto e bom som, eu explico. O que percebi foi que os movimentos necessários para minha mastigação só acontecem porque músculos e ossos trabalham em conjunto: enquanto os músculos tencionam e contraem as mandíbulas para esmagar a comida são a resistência e a força dos ossos que mantêm pressionado o alimento e os dentes firmes no lugar para exercer sua função de estraçalhá-los dentro da boca. Por fim, a língua, outro músculo incrível, trata de lançar o bolo alimentar de um lado para o outro e depois enviá-lo para o estômago.
Pronto! Encontrei um bom começo para o texto sobre ossos e músculos, da série A Máquina Humana, que trouxe nos dois últimos fins de semana informações sobre o cérebro e o coração. De quebra, dei um “tapa” na fome da tarde.
Assim como na mastigação, quase todos os movimentos que fazemos diariamente dependem do trabalho em conjunto do esqueleto e dos músculos. Eles trabalham juntos, entre outras coisas, para nos dar liberdade de movimentos. O papel do esqueleto é sustentar o corpo, enquanto permite os movimentos articulados. A tarefa dos músculos é complicada, variando desde esforços muito grandes, como correr, até movimentos muito delicados, como os da mão de um cirurgião.
Ossos e músculos são inúteis um sem o outro. E trabalham, muitas vezes, sem que percebamos. Como quando automaticamente nós nos inclinamos para manter o equilíbrio ao virarmos uma esquina em uma bicicleta. Isso envolve o movimento de dúzias de músculos, os ossos da espinha, quadril e ombros e, naturalmente, o controle do cérebro - tudo sem ter de pensar.
Os ossos funcionam como alavancas, facilitando os movimentos do corpo. Quando, por exemplo, você pensa em levantar o braço, um conjunto de músculos se contrai enquanto outro se relaxa, fazendo com que o braço seja erguido. Tudo isso é comandado pelo cérebro, claro.
Quando uma pessoa se exercita, o músculo tende a aumentar o seu número de miofibrilas, pequenas fibras que compõem o tecido.
Assim, quanto mais miofibrilas, mais resistente a musculatura é. Por isso, quem pratica exercícios normalmente tem uma massa muscular superior à de quem leva uma vida sedentária.
PROTEÇÃO DOS OSSOS
Além das funções de sustentação, os ossos também são uma espécie de armadura para nosso organismo. Você já pensou em como seria vulnerável o ser humano sem a caixa torácica? É esse “invólucro” composto de 12 costelas ligadas à coluna vertebral que protege os órgãos vitais como o coração, pulmão, rins e fígado, por exemplo.
E o crânio? Sem a caixa craniana, uma batida na cabeça, por menor que fosse, poderia ser fatal. A medula espinhal também recebe a proteção da espinha. Os intestinos são protegidos pelos ossos do quadril e assim por diante.
DOENÇAS
Algumas doenças podem atacar nossos músculos e ossos. Nos músculos, elas vão desde as mialgias, que são as dores musculares causadas por acidentes, exercícios inadequados ou sobrecarga de esforço; dores lombares; a fibromialgia, que tem origem desconhecida; e a LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Os problemas mais comuns dos ossos são: osteoporose, que atinge, principalmente as mulheres após a menopausa; a osteoartrite, uma degeneração dolorosa da cartilagem das articulações; e a artrite reumatóide, uma inflamação crônica dos dedos, punhos, tornozelos, cotovelos ou joelhos que causa inchaço e dor.
Fonte: Fernando Gewandsznajder. Ciências - Nosso Corpo - 7ª série. São Paulo, Ática, 2000.
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