Polícia Federal ‘seqüestra’ homem no Centro


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Sete horas da manhã. Um carro preto, sem placas, estaciona em frente à Santa Casa de Franca. Três homens, com idades entre 28 e 33 anos, descem, dirigem-se a uma barraca, pedem pastéis e ficam observando o movimento. Depois de comerem, voltam e se encostam no veículo. Seus olhos continuam atentos ao entra e sai do hospital. Minutos depois, um homem de 28 anos se aproxima da barraca e, ao pedir um salgado ao feirante, é abordado pelos três homens. Com revólveres em punho, pegam o homem e o colocam dentro do carro. Uma mulher grávida sai do hospital, conversa com os homens dentro do carro, que logo dão partida e vão embora. O mistério envolvendo a cena logo toma conta da cidade e abre espaço para uma seqüência de boatos. Para esclarecer - ou, ao menos, tentar. A mulher grávida é VVJ, 28. Poucos minutos depois da partida do carro, ela chamou a polícia pensando que seu marido, o vendedor Santiago de Paula Costa, havia sido seqüestrado. O casal tinha acabado de chegar à cidade para visitar o pai dela, internado na Santa Casa. Os três homens, na verdade, eram agentes da Delegacia da Polícia Federal em Ribeirão Preto e estavam cumprindo um mandado de prisão emitido contra Santiago, dentro da Operação Muralha, que tentava cumprir 32 mandados de prisão ontem. O vendedor é suspeito de fazer parte de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas. As informações se restringiram a isso. O que Santiago, que tem ficha limpa na polícia e é considerado bom moço por familiares e vizinhos, fazia na quadrilha ainda é um mistério, assim como o tempo em que ele estaria envolvido no negócio ilegal e como ele foi localizado. Para a mulher, que tinha acabado de chegar com o marido de Santos, onde moram, o único motivo que poderia dar algum problema para Santiago seria a transferência para seu nome de uma empresa endividada de um tio, que ocorreu anos atrás. Testemunhas que acompanharam a prisão disseram que os policiais se identificaram e disseram que ele já sabia o motivo da abordagem. Santiago teria concordado e não resistiu à prisão. À tarde, a reportagem entrou em contato com a Polícia Federal, mas nenhuma informação específica sobre Santiago foi fornecida. As explicações sobre a operação seriam dadas apenas em uma entrevista coletiva no final da tarde de ontem em São Paulo, que não foi realizada. O grupo do qual Santiago faria parte é investigado há um ano e meio. Neste período, a PF prendeu 81 suspeitos e apreendeu cerca de uma tonelada de cocaína, mais de uma tonelada de maconha e US$ 56 mil. As drogas partiriam do porto de Paranaguá, de onde iam de navio até Santos. De lá, iam para o exterior. Uma das hipóteses levantadas, não confirmada, é a de que Santiago poderia ser um dos membros do grupo responsável por receber em Santos os marinhos que transportavam a droga para o exterior. De acordo com o site Folhapress, os suspeitos presos deverão responder a processo por financiamento ou custeio ao tráfico e associação para financiamento ao tráfico, mas o mistério continua.

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