71 dias depois, OAB se move e suspende Adriana Telini


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Setenta e um dias. Este foi o tempo que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) demorou para tomar alguma medida disciplinar contra a advogada desde o dia em que ela foi presa por envolvimento em um roubo. Ela foi suspensa preventivamente, ontem, e está impedida de exercer a profissão por três meses. Além de demorada, a punição tem efeito prático zero. Não é só advogar que ela não pode. Foragida da Justiça, se aparecer em público será presa. No dia 31 de janeiro, a imprensa nacional informava que a União Européia decidiu parar de comprar carne bovina do Brasil. O bilhete do metrô em São Paulo era reajustado para R$ 2,40. A então ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, ainda balançava no cargo por causa do uso indevido do cartão corporativo. No mesmo dia, policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) prendiam a advogada Adriana Telini Pedro em Franca. A prisão temporária foi decretada pela Justiça com base em informações apuradas pela Polícia Civil que comprovariam o envolvimento dela com o roubo de R$ 120 mil em jóias, ocorrido dez dias antes diante do seu escritório. Adriana Telini ficou dez dias na cadeia. Como o Ministério Público em Franca se posicionou contra o pedido de preventiva, ela foi colocada em liberdade. No dia seguinte, fechou seu escritório e anunciou que estava abandonando a profissão até a conclusão do processo. Se dependesse da OAB, ela poderia continuar trabalhando normalmente. Enquanto a advogada seguia para um retiro espiritual - ou fugia, como queiram - a polícia conseguiu mais informações que comprovavam sua participação no assalto. No dia 29 de fevereiro, ela teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Nunca mais foi vista em público. E nenhuma punição por parte da OAB. Diante da intensa repercussão, a subsecção da Ordem em Franca resolveu abrir um processo pedindo a suspensão de seus direitos. O caso foi encaminhado para apreciação do TED (Tribunal de Ética e Disciplina), sediado em Ribeirão Preto. Inicialmente, o julgamento foi marcado para o dia 14 de março, mas Adriana Telini não foi encontrada para receber a intimação. Se fosse, teria sido presa. Depois de fazer a intimação pelo Diário Oficial, o TED voltou a se reunir, ontem, e julgou a advogada à revelia. Por razões óbvias, Telini não apareceu e foi representada por seu advogado, Rui Engrácia Garcia. “Ela foi suspensa preventivamente por 90 dias. Cabe recurso, mas não tem efeito suspensivo”, informou o presidente do tribunal, Luiz Gastão de Oliveira Rocha. Nos 71 dias que se passaram desde a prisão da advogada até sua suspensão, muita aconteceu: a ministra Matilde caiu, o jogador Ronaldo machucou o joelho mais uma vez e a garota Isabella morreu em circunstâncias ainda misteriosas. Perguntado se não houve muita demora por parte da OAB, o presidente do Tribunal de Ética e Disciplina surpreendeu ao responder. “Achei até rápido. Era preciso coletar todos os dados e seguir as formalidades legais. Não podemos julgar sem dar o direito de defesa”. O presidente da OAB em Franca, Mansur Jorge Said Filho, disse que, tão logo recebeu da Polícia Civil a documentação oficial sobre as investigações, abriu o processo administrativo disciplinar e enviou o caso para o TED sugerindo a suspensão. “O fato de a advogada estar foragida acabou atrasando a punição. Ela não foi encontrada e precisou ser intimada por edital”, disse o advogado. “O processo não termina por aqui. Também sugerimos sua exclusão definitiva dos quadros da Ordem. As acusações contra ela são gravíssimas e não compactuamos com isto”. A expulsão será decidida pelo Conselho Seccional da OAB em São Paulo. Detalhe: não tem previsão de data.

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