A cena aconteceu há 34 anos, mas a dona de casa Ermina Mendes de Oliveira, 81, ainda se lembra com detalhes. Ela estava na cozinha preparando feijão, em Salinas (MG), quando avistou o filho mais velho na porta do cômodo e ouviu seu adeus. “Ele entrou para dentro (sic) com a mulher dele, falou tchau e ‘escapuliu’. Foi embora sem falar para onde iria”. O lavrador Manoel Borges Santana, 57, deixou os pais e os irmãos para ir embora com a mulher grávida e a filha de 2 anos. Depois desse dia, mãe e filho nunca mais se viram nem se falaram. Ermina e o marido José Borges Santana, 87, não sabem onde ele está e desejam reencontrá-lo.
Os dois tiveram 11 filhos. Uma filha morreu e os outros moram em Franca. A família se mudou de Salinas para a cidade há 35 anos. O casal vive com mais nove filhos e netos no Jardim Santa Bárbara. Ermina disse que sempre sentiu falta do primogênito, mas há oito anos “o coração apertou demais” e ela começou a procurar por ele.
Mas as cartas enviadas para rádios mineiras e programas do SBT na tentativa de localizar Manoel não tiveram retorno. “Não sei onde ele está. Acredito que seja na região de Belo Horizonte e Montes Claros. Ele trabalha em fazendas”, disse ela.
A mãe não tem certeza dos motivos do distanciamento do filho, mas desconfia que seja pela convivência familiar. “Na época, a gente morava tudo junto numa casa emprestada na fazenda. Às vezes eu e o meu marido brigávamos e ele se sentia incomodado com isso. Acho que quis ter a vida dele com a família”.
Para Ermina, ter a privacidade de conviver com a mulher e os filhos era um direito dele, mas a falta de notícias a deixa angustiada. “Ele poderia ir embora e morar separado, mas não precisava ficar sem nos dar notícias. Fico sem comer por falta do meu filho. Mas tenho fé em Jesus que vou reencontrar”, disse a dona de casa, chorando.
A vontade de abraçar o filho novamente é tanta que Ermina chega sentir sua presença na casa. “Rezo por ele todo dia e arrepio só de lembrar do meu filho. Às vezes parece que está aqui escondido, bem perto de mim”. O pai, o lavrador aposentado José Santana Borges, também quer reencontrar o filho mais velho. “Tenho muita saudade dele. Quero ver ele porque é meu primeiro filho. Quero abraçar ele”.
ESPERANÇA DE TODOS
A tristeza de não ter notícias nem saber onde Manoel possa estar não é vivida apenas pelos idosos. Os outros irmãos também sentem a separação. “Todo fim de tarde, vejo o sol ir embora e descubro que se passou mais um dia e meu irmão não apareceu. Bate uma tristeza muito forte. Se eu soubesse onde está, iria atrás dele”, disse a doméstica Dionísia Oliveira, 50.
SERVIÇOS
Manoel era casado com Terezinha Alves Amorim e a filha deles se chamava Vilma. Informações sobre Manoel e a família podem ser passadas pelo telefone (16) 3713-8858.
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