A escolha de Graciela!


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A atitude da vereadora Graciela Ambrósio foi corajosa. Defendeu a soberania do seu mandato parlamentar a despeito da pressão do prefeito e seus áulicos. Foi uma gota de independência em uma enxurrada de submissão. Uma nota que destoou da triste sinfonia dos trombones enferrujados. Graciela optou pela liberdade democrática de divergir e a defendeu com a determinação feminina. Não se deixou levar pelas inverdades oficiais e desmascarou, na companhia dos vereadores Gilson Pelizaro e Silas Cuba, ardil preparado pela dupla Sidnei Rocha e Sebastião Ananias, cujo objetivo era vincular o reajuste dos servidores públicos à elevação da carga tributária municipal. A propósito, não devemos esquecer que ambos alardearam na campanha eleitoral de 2004 que os problemas da cidade eram gerenciais; portanto, as ações deveriam se concentrar no modo como elas eram executadas, e não nos arranjos estruturais que gerassem mais governabilidade financeira para a administração municipal. A forma como o prefeito Sidnei Rocha se referiu ao posicionamento da vereadora (Comércio da Franca, 5 de abril de 2008) é típica do seu estilo autoritário de encarar a política. Assim como faz com o PT, “demonizou” a posição independente e soberana da vereadora. Não se enganem com o tom ríspido, esta reação é defensiva; pois Sidnei Rocha não está acostumado a enfrentar ninguém que mantenha a cabeça erguida, que o encare de frente, olho no olho. As conversas sempre foram estrategicamente posicionadas à distância, via rádio – de preferência as de sua propriedade –, jornais ou através de seus estafetas. É assim hoje, foi assim ontem e continuará assim no futuro. Seus governos não foram moldados para a convivência democrática. Graciela, ao se posicionar contrária a uma determinação e publicitar essa independência, alvejou o “calcanhar-de-Aquiles” do “rochismo”. Em “O Abandono do Parque” (Comércio da Franca, de 25 de março de 2008), ressaltei que o prefeito instrumentaliza o patrimônio público para a disputa política particular. O abandono do Parque dos Trabalhadores foi uma ação calculada para não evidenciar os méritos de outros prefeitos, no caso Dominici e Balieiro. Há poucos dias, a vereadora Graciela acusou a Prefeitura de “barganhar apoio político” em troca da cessão de pessoal e equipamentos para um evento (Comércio da Franca, 4 de março de 2008). É ou não é aproveitar-se do que é público para obter dividendos políticos? O “modus operandis” do “rochismo” é truculento e direto. Por que, então, a escolha de Graciela tem valor? Por sua trajetória política. Foi uma oposicionista ao governo Gilmar Dominici e alinhou desde as primeiras horas ao candidato e ao governo Sidnei Rocha. Estou portanto, me referindo a um agente político que veio de dentro do bloco que elegeu e deu sustentação à ação do prefeito local até recentemente. Ela conhece com propriedade os meandros do processo de decisão e de priorização atual. Se hoje faz uma inflexão e se coloca em perspectiva crítica é sinal de que nem tudo vai bem no reino do “rochismo”. Vamos aguardar os próximos capítulos.

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